{"id":6144,"date":"2018-11-20T21:42:02","date_gmt":"2018-11-21T00:42:02","guid":{"rendered":"https:\/\/hom.urgesite.com.br\/?p=6144"},"modified":"2021-03-19T15:55:05","modified_gmt":"2021-03-19T18:55:05","slug":"entrevista-renato-malizia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/hom.urgesite.com.br\/?p=6144","title":{"rendered":"ENTREVISTA | Renato Malizia (TBTCI)"},"content":{"rendered":"<p>Os anos finais da d\u00e9cada de 80 viram surgir um punhado de bandas com uma sonoridade que resgatava tanto as guitarras barulhentas, feedbacks e microfonias eternizadas no cl\u00e1ssico &#8220;Psychocandy&#8221;, do Jesus and Mary Chain, quanto as texturas et\u00e9reas e quase on\u00edricas do Cocteau Twins e elementos de psicodelia feita nos anos 60.<\/p>\n<p>O Seman\u00e1rio ingl\u00eas New Musical Express, cunhou o termo &#8220;shoegaze&#8221; (admiradores de sapato), devido a postura assumida pelas bandas durante a apresenta\u00e7\u00e3o, de cabe\u00e7a baixa. J\u00e1 o jornalista Steve Sutherland, do Melody Maker, chamou de &#8220;The Scene That Celebrates Itself&#8221; (A Cena que Celebra a Si Mesma), devido ao fato de ser comum as bandas irem aos shows umas das outras, inclusive usando camisa uma das outras. Nomes como My Bloody Valentine, Ride, Slowdive, Lush, Chapterhouse, Pale Saints, Moose, The House of Love, Catherine Wheel e outras est\u00e3o encaixados em um ou outro termo, ou nos dois.<\/p>\n<p>O que tem isso a ver com a entrevista de Renato Malizia? Muito!<\/p>\n<p>Pra come\u00e7ar o seu blog e tamb\u00e9m selo, chama-se &#8220;The Blog That Celebrates Itself&#8221; (TBTCI), n\u00e3o s\u00f3 um trocadilho com o termo da Melody Maker, mas uma forma de deixar claras as inten\u00e7\u00f5es musicais. Embora a cena musical inglesa esteja restrita a uma determinada \u00e9poca, sonoridade e lugar, o TBTCI n\u00e3o se atem a fronteiras geogr\u00e1ficas , &#8220;une passado e presente&#8221;, e se expande para outras vertentes musicais como p\u00f3s-punk, darkwave, o dreampop, noise-rock e outras vertentes musicais pr\u00f3ximas destas citadas.<\/p>\n<p>Pesquisador incans\u00e1vel, Malizia se define como um &#8220;cara comum&#8221;. Mas n\u00e3o d\u00e1 pra considerar comum um cara que j\u00e1 fez mais de duas mil e quinhentas entrevistas ao longo de quase dez anos de exist\u00eancia do seu blog. N\u00e3o d\u00e1 pra considerar comum um cara que ama tanto a m\u00fasica a ponto de administrar um blog e selo sem ganhar um tost\u00e3o por isso, apenas pelo prazer de estar em contato, divulgar, conhecer os artistas e sua m\u00fasica, seja ela do Brasil, da Argentina, das Filipinas, da R\u00fassia, da China ou de qualquer lugar onde os bons sons possam estar. Renato Malizia \u00e9 uma institui\u00e7\u00e3o musical e seu TBTCI, blog e selo, se confundem com sua pessoa.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" style=\"border: 0; width: 100%; height: 120px;\" src=\"https:\/\/bandcamp.com\/EmbeddedPlayer\/album=2722931572\/size=large\/bgcol=ffffff\/linkcol=0687f5\/tracklist=false\/artwork=small\/transparent=true\/\" width=\"300\" height=\"150\" seamless=\"\"><a href=\"https:\/\/theblogthatcelebratesitself.bandcamp.com\/album\/come-on-feel-the-noize-vol-2-americas-attack\">Come On Feel The NoiZe, Vol. 2 &#8211; Americas\u00b4Attack by TBCI<\/a><\/iframe><\/p>\n<p><strong>Pra come\u00e7ar, quem \u00e9 Renato Malizia?<\/strong><br \/>\n<strong>R:<\/strong> Resumidamente, eu sou como diz a letra de &#8220;Blues From a Gun&#8221;, do Jesus and Mary Chain: \u201cI\u00b4m Stone Dead Tripper Dying In A Fantasy\u201d, ou algo similar&#8230;hahahhaahhahaha. Mas eu sou um cara comum, man, com uma fam\u00edlia genial, amigos espetaculares, uma esposa perfeita e dois anjos em forma de cachorrinhos. Por enquanto \u00e9 isso.<\/p>\n<p><strong>Alguma vez pensou m montar uma banda?<\/strong><br \/>\n<strong>R:\u00a0<\/strong>Affff! Sempre,! At\u00e9 hoje. Cheguei a ter v\u00e1rias bandas, assim como todo e qualquer moleque que cresceu nos 80\u00b4s\/90\u00b4s. Mas eu era muito irrespons\u00e1vel pra levar isso a s\u00e9rio.<\/p>\n<p><strong>Quais discos voc\u00ea considera fundamentais para a sua forma\u00e7\u00e3o, aqueles que fizeram acender aquela luzinha enquanto voc\u00ea ouvia?<\/strong><br \/>\n<strong>R:<\/strong> &#8220;Rocket to Russia&#8221;, dos Ramones, e &#8220;Mudan\u00e7a de Comportamento&#8221;, do Ira!, foram fundamentais para eu adentrar ao universo do rock. Logicamente que depois disso as coisas foram virando um buraco sem fundo. Quando eu era moleque obviamente que internet era coisa de filme, ent\u00e3o para descobrir coisas, voc\u00ea tinha que obrigatoriamente ler, e eu lia, e lia compulsivamente, a ponto de decorar textos e resenhas, e l\u00f3gico, ouvia programas de r\u00e1dio. Pra essa galera nova, que talvez nem saiba o que \u00e9 r\u00e1dio, mas \u00e9 poss\u00edvel sintonizar o dial do seu r\u00e1dio do carro em alguma emissora, sabe? Enfim, eu consumia os programas de mestres eternos como Kid Vinil, Jos\u00e9 Roberto Mahr, F\u00e1bio Massari, e outros que me fizeram adentrar a um universo absurdamente m\u00e1gico, o p\u00f3s punk, a new wave e os desmembramentos posteriores como a C86, foram e s\u00e3o, sem d\u00favida, fonte inesgot\u00e1vel de pesquisas. Mas voltando a quest\u00e3o, houveram momentos cruciais p\u00f3s &#8220;Rocket to Russia&#8221; e &#8220;Mudan\u00e7a de Comportamento&#8221;. O principal chama-se &#8220;Psychocandy&#8221;. A primeira vez que ouvi aquilo, foi um murro na minha cara. E, por sinal, quase tomei uma chinelada na cara da minha m\u00e3e, porque estava ouvindo bem alto o disco e quando come\u00e7ou a tr\u00edade p\u00f3s &#8220;Just Like Honey&#8221;, &#8220;Living End&#8221;, &#8220;Taste The Floor&#8221; e &#8220;Hardest Walk&#8221;, meu amigo, minha m\u00e3e quase me decapitou. Da\u00ed coloquei fone e continuei a audi\u00e7\u00e3o. E assim meu amor por Jesus nasceu e sou devoto dos mais fervorosos at\u00e9 hoje.<\/p>\n<blockquote><p>Mas, cara, tem tantos discos que destro\u00e7aram minha cabe\u00e7a, &#8220;Sister&#8221;, do Sonic Youth, &#8220;Surfer Rosa&#8221; (Pixies), &#8220;Isn\u00b4t Anything&#8221; (My Bloody Valentine), &#8220;Crocodiles&#8221; do Echo. Enfim, a lista seria intermin\u00e1vel.<\/p><\/blockquote>\n<p><strong>Qual a diferen\u00e7a entre o Renato Malizia ouvinte, f\u00e3 de m\u00fasica, e o que administra o TBTCI?<\/strong><br \/>\n<strong>R:\u00a0<\/strong>Basicamente nenhuma. O mesmo Renato que consome m\u00fasica \u00e9 o mesmo que criou e toca o TBTCI. Eu n\u00e3o vou colocar no TBTCI nada, absolutamente nada, do que eu n\u00e3o goste. N\u00e3o \u00e9 um site feito pra ter likes ou grande publico. Eu n\u00e3o fa\u00e7o resenha, n\u00e3o sou jornalista, n\u00e3o tenho essa pretens\u00e3o. O TBTCI \u00e9 um meio de comunica\u00e7\u00e3o feito \u00fanica e exclusivamente para as bandas falarem atrav\u00e9s das entrevistas. Obviamente que fa\u00e7o uma introdu\u00e7\u00e3o do que ser\u00e1 abordado, mas n\u00e3o \u00e9 nada rebuscado, pelo contr\u00e1rio, \u00e9 fruto do que eu sinto sobre a banda a ser entrevistada.<\/p>\n<p><strong>Poderia nos contar, de forma resumida, como surgiu o TBTCI?<\/strong><br \/>\n<strong>R:<\/strong> O TBTCI surgiu basicamente para ser algo como um di\u00e1rio particular que sintetizaria o que eu estivesse ouvindo naquele momento. No inicio, em dezembro de 2008 era assim. Se voc\u00ea for buscar as primeiras publica\u00e7\u00f5es, elas n\u00e3o s\u00e3o entrevistas, s\u00e3o devaneios meus, feitos pra mim, nada mais. Todavia, depois que conheci o dono da gravadora Northern Star, desenvolvemos uma amizade por conta dos gostos musicais, e ele sugeriu que eu entrevistasse as bandas da gravadora dele, dentre elas uma das minhas prediletas atuais chamada 93MillionMilesFromTheSun, e ai, meu caro, tomei gosto e foi indo, uma atr\u00e1s da outra. At\u00e9 hoje, se n\u00e3o me engano, passei das 2500 [Entrevistas] no TBTCI, e n\u00e3o pretendo parar t\u00e3o cedo.<\/p>\n<p><strong>Quem faz parte do TBTCI atualmente e como voc\u00eas dividem as tarefas?<\/strong><br \/>\n<strong>R:\u00a0<\/strong>Eu, apenas e t\u00e3o somente eu, no que diz respeito ao blog. Em rela\u00e7\u00e3o ao selo, meu fiel companheiro Dimitry Uziel \u00e9 respons\u00e1vel por 90% da parte visual.<\/p>\n<p>Mas \u00e9 isso, n\u00e3o tem uma equipe, nem divis\u00e3o, eu basicamente sou o office boy, o faxineiro e o dono. Simples assim.<\/p>\n<p><strong>Em que momento o blog expandiu para selo, e isso aconteceu de forma pensada?<\/strong><br \/>\n<strong>R:\u00a0<\/strong>Em meados de 2012, eu estava envolvido com casa noturna, organizando shows e me pareceu atraente convidar bandas das quais eu gostava para fazer algo, mas n\u00e3o sabia ao certo o que exatamente, e quem abra\u00e7ou de cara a ideia foi o Robson Gomes, guitarrista do lend\u00e1rio The Concept, guitar band noventista paulistana, mas ele debutou com o TBTCI com seu projeto solo chamado Robsongs, foi basicamente isso. Tudo aconteceu em pouco meses. Tr\u00eas meses e j\u00e1 est\u00e1vamos lan\u00e7ando os EP&#8217;s dele. Simultaneamente, no final daquele ano, al\u00e9m dos EP&#8217;s, eu organizei um projeto com sete volumes englobando mais de setenta bandas do mundo todo, dando assim o pontap\u00e9 inicial as atividades do selo.<\/p>\n<p><strong>Quais bandas fazem hoje parte do cast do selo?<\/strong><br \/>\n<strong>R:\u00a0<\/strong>Robsongs, <a href=\"https:\/\/hom.urgesite.com.br\/index.php\/2018\/06\/20\/entrevista-the-us\/\">The US<\/a>, <a href=\"https:\/\/hom.urgesite.com.br\/index.php\/2018\/01\/22\/entrevista-com-ceus-de-abril\/\">C\u00e9us de Abril<\/a>, The John Candy, The Dead Suns, Blackpool Astronomy (USA), Lur Lur(Portugal), estas s\u00e3o as bandas que lan\u00e7aram seus \u00faltimos trabalhos em parceria com o TBTCI.<\/p>\n<p><strong>Financeiramente, o TBTCI selo consegue &#8220;se pagar&#8221; ou voc\u00eas tiram do bolso pra mant\u00ea-lo funcionando?<\/strong><br \/>\n<strong>R:\u00a0<\/strong>Cara, no TBTCI tudo \u00e9 gratuito, ou seja, a resposta \u00e9: nos viramos.<\/p>\n<p><strong>Qual o crit\u00e9rio para uma banda fazer parte de uma das colet\u00e2neas tributo do TBTCI?<\/strong><br \/>\n<strong>R:<\/strong> Bom, primeiro eu tenho que gostar da banda, obvio; segundo, s\u00e3o bandas que j\u00e1 passaram pelas p\u00e1ginas do TBTCI.<\/p>\n<p><strong>Como funcionam os tributos que o TBTCI faz, voc\u00eas pedem autoriza\u00e7\u00e3o para as bandas donas das m\u00fasicas, pagam algo para as bandas que participam<\/strong>?<br \/>\n<strong>R:<\/strong> Sempre vou atr\u00e1s das bandas a serem reverenciadas. No inicio eu ficava mais constrangido, sabe. Mas hoje eu mostro o que j\u00e1 fizemos at\u00e9 agora, e cara, sempre, ou 99% das bandas acham os projetos geniais.<\/p>\n<p>Como eu disse, tudo \u00e9 gratuito, n\u00e3o existe venda ou monetiza\u00e7\u00e3o f\u00edsica dos tributos, ou seja, as bandas entram porque curtem o projeto.<\/p>\n<p><strong>O selo tem \u00e1lbuns f\u00edsicos lan\u00e7ados? E pegando carona nessa pergunta, o que acha de sites de streaming como Spotify e Deezer?<\/strong><br \/>\n<strong>R:<\/strong> Tem sim. No in\u00edcio, faz\u00edamos CD&#8217;s. Mas, pra ser bem sincero, eu perdi por completo o interesse neste formato. Explico. Na minha opini\u00e3o, o CD se banalizou, principalmente no sentido independente de como \u00e9 concebido. Veja voc\u00ea, se o brasileiro em sua grande maioria mal consome m\u00fasica, imagina voc\u00ea m\u00fasica f\u00edsica.<\/p>\n<blockquote><p>Brasileiro gosta de entrar vip no show, brasileiro gosta de ser espertalh\u00e3o e ganhar de gra\u00e7a, por essas e outras que as bandas nascem e morrem, ou ent\u00e3o n\u00e3o conseguem criar a todo momento. O publico deste pais \u00e9 cancer\u00edgeno. Eu digo isso com tristeza, sabe? Na verdade tudo \u00e9 um problema bem maior. Na minha opini\u00e3o, a cena independente nacional tamb\u00e9m \u00e9 bem mambembe, sempre foi e, infelizmente, pelo que vejo, vai continuar sendo toda vida.<\/p><\/blockquote>\n<p>A partir do momento que as coisas se profissionalizarem e a galera encarar como um neg\u00f3cio&#8230; porque, cara, ter uma gravadora e uma banda \u00e9 um neg\u00f3cio, n\u00e3o me venham dizer que fazem s\u00f3 por amor a causa e o escambau que n\u00e3o cola, ao menos pra mim, todos temos contas e tudo mais, e pra viver de musica \u00e9 necess\u00e1rio sim ser profissional, mas o ciclo interno brasileiro n\u00e3o propicia isso, enfim, formato f\u00edsico no TBTCI n\u00e3o rola mais. Prefiro tudo digital e gratuito, e digo mais, l\u00e1 fora \u00e9 muito mais prestigiado do que aqui dentro, infelizmente.<\/p>\n<p>Quanto a Spotify e similares, eu n\u00e3o uso, n\u00e3o tenho o menor interesse em ouvir playlists, e, ao menos pra mim, n\u00e3o \u00e9 algo que me fa\u00e7a ir pesquisar. J\u00e1 disse em outra entrevista que o Spotify pra mim \u00e9 o c\u00e2ncer atual da m\u00fasica, pessoas n\u00e3o escutam mais um disco na integra, v\u00e3o l\u00e1 e montam suas playlists e consomem uma m\u00fasica, duas, sei l\u00e1! N\u00e3o vejo nada de ben\u00e9fico nestas plataformas, em termos de conhecimento ao menos \u00e9 nulo.<\/p>\n<p><strong>Voc\u00ea j\u00e1 fez milhares de entrevistas com bandas, teve alguma que foi mais complicada de conseguir?<\/strong><br \/>\n<strong>R:<\/strong> Demorei um ano pra entrevistar o Adam Franklin, do Swervedriver. Isso foi l\u00e1 nos prim\u00f3rdios do TBTCI, ningu\u00e9m tinha perfil no Facebook. Hoje todo mundo troca ideia com ele f\u00e1cil, mas quando descolei a entrevista&#8230;cara, foram emails pra l\u00e1 e pra c\u00e1&#8230; afinal o que era o TBTCI, um bloguezinho brasileiro indie?? E, porra, o Adam Franklin pra mim \u00e9 uma lenda dos 90\u00b4s, ent\u00e3o quando consegui foi tipo orgasm\u00e1tico.<\/p>\n<p><strong>Voc\u00ea \u00e9 um cara que ouve muita coisa, mas sempre tem aquela banda que chama mais a aten\u00e7\u00e3o, poderia citar alguma ou algumas recentemente?<\/strong><br \/>\n<strong>R:<\/strong> Na minha opini\u00e3o, o A Place to Bury Strangers \u00e9 a banda da d\u00e9cada. Eles sintetizam o caos que vivemos, o lado sombrio, enfim, os tempos modernos. Mas eles nem s\u00e3o t\u00e3o novos assim, mais de dez anos de estrada. Mas eu citaria de bandas novas o Echolust (post punk), Lacing (barulho noventista) e daqui acho que todos deveriam ouvir o Lava Divers sem parar.<\/p>\n<p><strong>Lidando com bandas espalhadas ao redor do mundo e tamb\u00e9m do cen\u00e1rio nacional, voc\u00ea consegue perceber diferen\u00e7as nos m\u00e9todos de trabalho no que diz respeito a grava\u00e7\u00e3o, divulga\u00e7\u00e3o, relacionamento com as m\u00eddias, etc?<\/strong><br \/>\n<strong>R:\u00a0<\/strong>Pois ent\u00e3o, acho que os brasileiros deveriam focar o mercado gringo, sempre disse isso e vou repetir eternamente, pelo simples motivo de que l\u00e1 fora a obra do artista \u00e9 mais valorizada, porque se ficar nesse feudo chamado Brasil, desculpe, vai nascer, lutar e morrer.<br \/>\nAgora em termos de grava\u00e7\u00e3o, cara, o que \u00e9 feito na Tail\u00e2ndia, na Nova Zel\u00e2ndia ou na Republica Dominicana tem a mesma qualidade do que \u00e9 feito no eixo USA\/UK.<\/p>\n<p>Qual ou quais \u00e1lbuns ou colet\u00e2neas voc\u00ea mais se orgulha de ter lan\u00e7ado?<br \/>\n<strong>R:\u00a0<\/strong>Todas, cada projeto \u00e9 sempre um desafio, sempre \u00e9, e eu sempre amo fazer.<\/p>\n<p><iframe style=\"border: 0; width: 100%; height: 120px;\" src=\"https:\/\/bandcamp.com\/EmbeddedPlayer\/album=1597819780\/size=large\/bgcol=ffffff\/linkcol=0687f5\/tracklist=false\/artwork=small\/transparent=true\/\" seamless=\"\"><a href=\"https:\/\/theblogthatcelebratesitself.bandcamp.com\/album\/the-darkside-of-tbtci-ii\">The DarkSide of TBTCI, II by TBTCI<\/a><\/iframe><\/p>\n<p>Desde receber e-mail do Bowie dizendo \u201cgo ahead, spread the world, but with only unsigned bands&#8230;\u201d ou o Sonic Youth postando na p\u00e1gina oficial deles, ou ainda o Ride mandando newsletter falando sobre o tributo, o Wayne Coyne distribuindo cora\u00e7\u00f5es coloridos no Instagram dele, tudo \u00e9 prazeroso, cara, e o fundamental \u00e9 que isso ajuda as bandas que participam a interagirem com outros que nem conheciam do mundo todo, gerando um circulo de auto ajuda, saca?<\/p>\n<p>Como uma banda certa vez disse sobre o TBTCI: \u201cO TBTCI une o passado ao presente\u201d, acho que isso sintetiza o que eu fa\u00e7o.<\/p>\n<p><strong>Tem uma frase do Ian McCulloch, do Echo and the Bunnymen, em uma entrevista antiga, que \u00e9 emblem\u00e1tica: &#8220;As pessoas n\u00e3o amam a m\u00fasica, elas apenas compram discos que est\u00e3o nas paradas&#8221;, o que voc\u00ea acha?<\/strong><br \/>\n<strong>R:<\/strong> Isso quando compravam discos, n\u00e9? A grande maioria n\u00e3o faz isso, e ainda reclamam que n\u00e3o existe nada de novo, lament\u00e1vel.<\/p>\n<p><strong>J\u00e1 o William ou Jim Reid, do Jesus and Mary Chain afirmou que o disco mais sincero de uma banda \u00e9 o primeiro, porque a banda ainda n\u00e3o teve contato com o music business. Qual sua opini\u00e3o?<\/strong><br \/>\n<strong>R:\u00a0<\/strong>Pode ser que sim, pode ser que n\u00e3o, n\u00e3o sei dizer ao certo, \u00e9 claro que eles est\u00e3o falando de majors e do mercado grand\u00e3o, mas existe o mundo independente que hoje voltou a ser mais independente talvez do que j\u00e1 foi no passado.<\/p>\n<p>Obviamente que a sinceridade e ou ingenuidade de uma banda esta toda fincada no in\u00edcio, mas n\u00e3o d\u00e1 pra aplicar isso por exemplo ao Velvet Underground. Ou o White Light, White Heat \u00e9 menos sincero do que o primeiro? O que dizer ent\u00e3o do &#8220;Unknown Pleasures&#8221; e do &#8220;Closer&#8221;? Enfim, \u00e9 subjetivo.<\/p>\n<p><strong>Como voc\u00ea tem visto a volta aos palcos, e aos \u00e1lbuns, de nomes como My Bloody Valentine, Slowdive, Ride, Lush (que j\u00e1 acabou de novo), dentre outros?<\/strong><br \/>\n<strong>R:<\/strong> Primeiro que sou f\u00e3 de todas essas bandas, ent\u00e3o eu amei, e amarei mais ainda se eu puder v\u00ea-las ao vivo. O Slowdive j\u00e1 vi, o Lush n\u00e3o rola mais. Agora eu morreria pra ver o MBV, todos que me conhecem sabem disso.<\/p>\n<p>Cara, minha opini\u00e3o sobre retornos \u00e9 assim, se os integrantes est\u00e3o afim de resgatar aquilo que criaram seja pra ganhar uma grana, seja por divers\u00e3o, seja pelos dois, vai agradar quem os aprecia, ent\u00e3o \u00e9 v\u00e1lido, e que se fodam os cr\u00edticos.<\/p>\n<p><strong>Malizia, entre o lan\u00e7amento do primeiro \u00e1lbum e o mais recente, &#8220;Come On Feel The NoiZe, Vol. 2 &#8211; Americas\u00b4Attack&#8221;, o que mudou no TBTCI e na maneira como enxerga o cen\u00e1rio musical?<\/strong><br \/>\n<strong>R:<\/strong> Talvez eu tenha percebido, ou melhor, eu me certifiquei que as pessoas n\u00e3o consomem m\u00fasica, fingem que consomem, mas isso \u00e9 algo global, n\u00e3o somente com a m\u00fasica, aqui no Brasil. O mercado editorial vai de mal a pior, eu diria que a cultura vai mal, ent\u00e3o eu sigo com o TBTCI, primeiramente pra mim, porque eu sou f\u00e3 do TBTCI, sou mesmo, afinal sou f\u00e3 das bandas que s\u00e3o homenageadas e sou f\u00e3 das que participam. Ent\u00e3o, quando eu planejo um projeto, eu penso se eu vou gostar muito, se a resposta for sim, eu sigo adiante e procuro pessoas que pensem de forma similar, \u00e9 isso.<\/p>\n<p><strong>O TBTCI est\u00e1 no &#8220;lugar&#8221; que voc\u00ea imaginou quando come\u00e7ou?<\/strong><br \/>\n<strong>R:\u00a0<\/strong>Cara, eu nem imaginaria que eu iria entrevistar bandas, ent\u00e3o, imagine voc\u00ea, em dezembro o TBTCI completar\u00e1 10 anos, e o lugar que ele est\u00e1 \u00e9 o lugar onde estou, feliz, realizado, conheci \u00eddolos meus, novos amigos, pessoas geniais, pessoas p\u00e9ssimas tamb\u00e9m, infelizmente passaram mas j\u00e1 sumiram, e esta saga continuar\u00e1 desta forma, at\u00e9 quem sabe um dia, virar uma revista f\u00edsica, ou uma gravadora especializada nestes nichos sonoros que gosto, lan\u00e7ando edi\u00e7\u00f5es em vinis, quem sabe? Existe limite pra algo?<\/p>\n<p><strong>Finalizando, qual pergunta voc\u00ea gostaria de responder mas que nunca lhe perguntaram?<\/strong><br \/>\n<strong>R:<\/strong>Putz, n\u00e3o fa\u00e7o ideia&#8230; vou perguntar pra mim aqui e em outra oportunidade te respondo, beleza?<\/p>\n<p>:::<\/p>\n<p><strong>:: Mais sobre o TBTCI:<\/strong> <a href=\"https:\/\/theblogthatcelebratesitself.blogspot.com\/\">Blog<\/a>, <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/TheBlogThatCelebratesItself\/\">Facebook<\/a>, <a href=\"https:\/\/theblogthatcelebratesitself.bandcamp.com\/\">Bandcamp<\/a>,\u00a0<a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/user\/Tbtci\">Youtube<\/a>, <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/tbtci\/?hl=pt\">Instagram<\/a>, <a href=\"https:\/\/twitter.com\/tbtcirecords\">Twitter<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Os anos finais da d\u00e9cada de 80 viram surgir um punhado de bandas com uma sonoridade que resgatava tanto as guitarras barulhentas, feedbacks e microfonias eternizadas no cl\u00e1ssico &#8220;Psychocandy&#8221;, do &#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":6152,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1573],"tags":[2463,602,914,2461,2462,234,2102],"class_list":["post-6144","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-entrevistas","tag-blogs-nacionais","tag-dreampop","tag-jesus-and-mary-chain","tag-renato-malizia","tag-selos-nacionais","tag-shoegaze","tag-tbtci"],"aioseo_notices":[],"aioseo_head":"\n\t\t<!-- All in One SEO 5.0.4 - aioseo.com -->\n\t<meta name=\"description\" content=\"Os anos finais da d\u00e9cada de 80 viram surgir um punhado de bandas com uma sonoridade que resgatava tanto as guitarras barulhentas, feedbacks e microfonias eternizadas no cl\u00e1ssico &quot;Psychocandy&quot;, do Jesus and Mary Chain, quanto as texturas et\u00e9reas e quase on\u00edricas do Cocteau Twins e elementos de psicodelia feita nos anos 60. 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