{"id":5260,"date":"2018-06-13T21:12:35","date_gmt":"2018-06-14T00:12:35","guid":{"rendered":"https:\/\/hom.urgesite.com.br\/?p=5260"},"modified":"2023-06-25T12:04:46","modified_gmt":"2023-06-25T15:04:46","slug":"entrevista-loomer","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/hom.urgesite.com.br\/?p=5260","title":{"rendered":"Em entrevista, Loomer comenta sobre novo \u00e1lbum, redes sociais e mais"},"content":{"rendered":"<p><span class='vw-dropcap vw-dropcap-box'>O<\/span>\u00a0quarteto Loomer \u00e9 de Porto Alegre, mas sua m\u00fasica est\u00e1 al\u00e9m de quaisquer fronteiras, sejam elas de tempo ou espa\u00e7o, pois reverbera como ondas flutuando pelo c\u00e9u, choca-se tanto na sonoridade de bandas precursoras de muralhas de guitarras barulhentas do in\u00edcio dos anos 90 quanto no revivalismo shoegaze que se seguiu em \u00e9pocas posteriores, dando formas parecidas mas com sabores diferenciados, talvez por ter sido cultivada no hemisf\u00e9rio sul, ainda que surgida em paragens mais ao extremo, logo mais frias.<\/p>\n<p>Com dez anos de forma\u00e7\u00e3o, a banda tem uma discografia que se n\u00e3o \u00e9 das mais extensas, considerando o tempo de atividade, mant\u00e9m um padr\u00e3o de qualidade (e fidelidade aos seus pr\u00f3prios princ\u00edpios) que pouco se altera desde &#8220;Mind Drops&#8221; (2009), seu primeiro EP, passando por &#8220;Coward Soul&#8221; (2010) e &#8220;You Wouldn&#8217;t Anyway&#8221; (2015), e chegando a &#8220;Deserter&#8221;, seu \u00e1lbum mais recente, um dos melhores lan\u00e7ados em 2017, e que entrou na <a href=\"https:\/\/hom.urgesite.com.br\/index.php\/2017\/12\/31\/melhores-musicas-albuns-2017\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">nossa lista<\/a> daquele ano.<\/p>\n<p>Avessos aos caminhos comuns, e a m\u00fasica que brota da jun\u00e7\u00e3o dos quatro integrantes deixa bem claro isso, o quarteto segue sua pr\u00f3pria trilha sem se importar com modelos ou normas, mas escrevendo a sua pr\u00f3pria cartilha, ao seu modo, no seu tempo, sem abrir m\u00e3o de suas convic\u00e7\u00f5es, o que lhes permite liberdade para compor, gravar e tocar sua m\u00fasica, e o que advier disso ser\u00e1 bem vindo.<\/p>\n<p>Detalhe, de todos os artistas para quem enviamos as perguntas por e-mail, foram, at\u00e9 o momento, os mais &#8220;dif\u00edceis&#8221;, embora sempre muito atenciosos e gentis, por\u00e9m muito ocupados. Por algum tempo at\u00e9 pensamos que n\u00e3o aconteceria, mas, de repente, eis que eles nos mandam tudo j\u00e1 pronto (e somos gratos!). E a espera valeu a pena, j\u00e1 que a banda (Stefano e Guilherme) nos permitiu vislumbrar um pouco desse universo t\u00e3o particular da Loomer.<br \/>\n<strong><br \/>\n<\/strong>Loomer \u00e9 Stefano Fell (guitarra e voz(, Fernanda Junkie (baixo e voz), Richard La Rosa (guitarra) e Guilherme Figueiredo (bateria)<\/p>\n<hr \/>\n<p><strong>Dois EP&#8217;s e dois \u00e1lbuns no espa\u00e7o de dez anos, como voc\u00eas avaliam a trajet\u00f3ria da banda? J\u00e1 fizeram essa auto avalia\u00e7\u00e3o?<\/strong><br \/>\n<strong>STEFANO:<\/strong> A gente n\u00e3o parou muito pra pensar em nossa trajet\u00f3ria. Parece que tudo passou muito r\u00e1pido sob um certo ponto de vista. Ficamos muito felizes, e at\u00e9 surpresos, com o que j\u00e1 aconteceu conosco, considerando onde estamos, a forma com que fazemos, e que o nosso principal esfor\u00e7o \u00e9 trabalhar nas m\u00fasicas, manter a uni\u00e3o e curtir os momentos que tocamos ao vivo.<br \/>\n<strong>GUILHERME:<\/strong> Como disse numa m\u00fasica, um cara de uma banda que precisou de 3 ou 4 anos pra fazer sua historia: &#8220;I think i&#8217;m done&#8221;; Mas enfim, talvez por n\u00e3o seguir esses padr\u00f5es de tempo, e pr\u00e9 avalia\u00e7\u00f5es, parar pra analisar isso agora seria como reconhecer que ja tivemos nosso tempo, e no entanto,nunca tivemos nada a n\u00e3o ser o desejo atemporal de se expressar. Nos alimentamos um pouco da falta desses padr\u00f5es de julgamento. E obviamente, pagamos o pre\u00e7o disso. Sim, temos uma estrada, mas enquanto o diesel for mais barato que a gasolina, e ainda podermos nos coordenar na nossa descoordena\u00e7\u00e3o, sempre queremos ter a ideia de que as coisas ainda est\u00e3o a rec\u00e9m come\u00e7ando.<\/p>\n<p><strong>&#8220;Deserter&#8221; pode ser considerado um dos melhores \u00e1lbuns na linha shoegaze\/alternativo\/noise j\u00e1 feitos no Brasil, em nada devendo a lan\u00e7amentos de banda de fora. Voc\u00eas tinham essa inten\u00e7\u00e3o em mente quando estavam preparando o \u00e1lbum, de fazer algo que estivesse &#8220;acima&#8221; ou &#8220;\u00c9 um jogo de tentativa e erro\u201d como diz a letra de &#8220;Mind Control&#8221;?<\/strong><br \/>\n<strong>STEFANO:<\/strong> Olha, a gente sempre quer que o \u00faltimo \u00e1lbum seja o melhor, mas ach\u00e1vamos que isso n\u00e3o iria acontecer desta vez, e tamb\u00e9m nem sei se isso aconteceu no fim (Risos). Existem excelentes bandas na atualidade, e estamos fazendo nossa parte por aqui. Acho que temos bons \u00e1lbuns j\u00e1 lan\u00e7ados, e que bom que este \u00faltimo agrada a bastante gente tamb\u00e9m.<br \/>\n<strong>GUILHERME: <\/strong>Assim como para selecionar coisas que nos agradam escutar, naturalmente, o que tentamos criar passa por uma autocritica. Mas acho que \u00e9 de uma forma espont\u00e2nea, sem for\u00e7ar uma barra nem tentar ser pretensioso. A gente obviamente nunca vai se achar no mesmo n\u00edvel que as bandas que admiramos (temos no\u00e7\u00e3o de quem somos e de onde viemos, mas n\u00e3o temos no\u00e7\u00e3o nenhuma, por isso a gente chuta o balde, a manda ver do melhor jeito que a gente consegue), sejam elas as mais undergrounds, sejam elas do Brasil ou de qualquer outro pa\u00eds. Mas tentativa e erro, \u00e9 uma boa alternativa pra essa pergunta dif\u00edcil. Acho que t\u00e1 bom n\u00e9? podemos tomar uma cerveja agora? (Risos)<\/p>\n<p><strong>O que mudou da Loomer de &#8220;You Wouldn&#8217;t Anyway&#8221; (2013) para a de &#8220;Deserter&#8221; (2017)?<\/strong><br \/>\n<strong>STEFANO:<\/strong> Ambos os \u00e1lbuns levaram um bom tempo para serem lan\u00e7ados, e neste tempo mudamos bastante tamb\u00e9m. Foram lan\u00e7ados j\u00e1 \u201cantigos\u201d pra gente. Ou seja, o &#8220;Deserter&#8221; j\u00e1 \u00e9 antigo pra n\u00f3s, que queremos tocar e compor as coisas de forma diferente. Saiu a baixista anterior, a Liege, e entrou a Fernanda. Fizemos v\u00e1rios shows neste meio tempo, tocamos em v\u00e1rios festivais, com v\u00e1rias bandas de diferentes estilos, isso nos deu um certo aprendizado, e uma certa seguran\u00e7a, talvez. Fizemos diversas turn\u00eas entrando num carro e andando pelas estradas, aprendendo a nos tolerar e entender nossas diferen\u00e7as, com um objetivo em comum nos ajudando nisso. Hoje a gente olha um para o outro sabendo que, apesar de tudo, somos uma banda, nos deixa bem.<br \/>\n<strong>GUILHERME:<\/strong> Talvez mesmo para quem goste muito da Loomer, ou quem tenha convivido com a gente durante essa fase, \u00e9 bem confuso entender o que se passou&#8230;Nem n\u00f3s sabemos ou pensamos nisso&#8230; Voc\u00ea citou nomes de \u00e1lbuns, porque s\u00e3o refer\u00eancias de quem v\u00ea de fora, mas muita coisa que n\u00e3o planejamos ou esper\u00e1vamos foram acontecendo. A parte mais dif\u00edcil, que a duras penas conseguimos manter, e talvez melhorar, foi a manuten\u00e7\u00e3o da parte\/fun\u00e7\u00e3o feminina da banda. A Liege gravou os baixos e vocais do &#8220;You Wouldnt Anyway&#8221;, mas antes dele ser lan\u00e7ado ela saiu da banda. A Fernanda entrou e j\u00e1 come\u00e7amos a compor novas m\u00fasicas, mas ela foi pra Miami e a partir da\u00ed, estamos nessa ponte a\u00e9rea. Para n\u00f3s tudo sempre foi uma &#8220;lenda&#8221;, as coisas demoram&#8230;acho \u00e9 que estamos mais calejados e aprendemos a ser um pouco mais r\u00e1pidos e pr\u00e1ticos hoje.<\/p>\n<p><strong>Quando e como se iniciou o processo que deu forma ao \u00e1lbum, partindo das composi\u00e7\u00f5es at\u00e9 o disco pronto?<\/strong><br \/>\n<strong>STEFANO:<\/strong> Assim como com os \u00e1lbuns anteriores, a gente segue compondo m\u00fasicas. N\u00e3o houve um planejamento, antes das composi\u00e7\u00f5es, digo, de como o \u00e1lbum deveria soar ou como as m\u00fasicas deveriam ser compostas, elas j\u00e1 existiam. Gravamos as m\u00fasicas da mesma forma como as tocamos. A partir da\u00ed existiu um trabalho de aproveitamento do que aconteceu de positivo na grava\u00e7\u00e3o, \u00eanfase nos timbres bons, na energia, etc. Aproveitamos uma oportunidade para gravar no est\u00fadio Dissenso, e isso nos impulsionou em dire\u00e7\u00e3o ao \u00e1lbum.<br \/>\n<strong>GUILHERME:<\/strong> As m\u00fasicas do &#8220;Deserter&#8221; vem sendo ensaiadas e tocadas desde o momento que a Fernanda entrou na banda. Isso deve ter sido em 2014\/15. J\u00e1 colocamos elas nos shows e fomos montando repert\u00f3rio. Depois gravamos 8 das 10 musicas no est\u00fadio Dissenso, mas meio a toque de caixa, poucas horas, sem pr\u00e9 produ\u00e7\u00e3o, mas num est\u00fadio excelente e com um feedback do Eric, da Muri, e com um operador de som americano. Da\u00ed, a falta de planejamento, dinheiro, e a nossa cabe\u00e7a dura de querer fazer tudo n\u00f3s mesmos, por haver pouca m\u00e3o de obra dispon\u00edvel e barata em Porto Alegre, fez o \u00e1lbum se estender por um longo tempo pra ficar pronto. Stefano basicamente mixou sozinho este disco. Mas acho que foi em um ou dois fins de semana, que o resto da banda ficou pentelhando e enchendo o saco, at\u00e9<br \/>\nfinalmente ficar a contento de todos e poder ser disponibilizado de um jeito &#8220;aceit\u00e1vel&#8221; pras pessoas.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Loomer - Slow Dream (Ao Vivo)\" width=\"1140\" height=\"641\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/RbZ1Jdg_j_4?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><strong>Bandas que seguem essa linha musical de voc\u00eas costumam afirmar que o vocal nada mais \u00e9 que um instrumento a mais, qual a import\u00e2ncia do vocal nas composi\u00e7\u00f5es da Loomer e o que poderiam falar a respeito das letras?<\/strong><br \/>\n<strong>STEFANO:<\/strong> Bom, sim, temos este conceito tamb\u00e9m de o vocal soar como um instrumento, mas n\u00e3o para colocar o vocal em segundo plano, e sim para trazer o instrumental para frente, pois ele traz o peso e a energia que a m\u00fasica precisa ter. De minha parte trato o vocal com import\u00e2ncia, por\u00e9m gosto que ele n\u00e3o seja completamente distingu\u00edvel, n\u00e3o acho isso incoerente. Mas acho que isso \u00e9 caso a caso, n\u00e3o necessariamente uma regra. Sobre as letras, a composi\u00e7\u00e3o \u00e9 feita primeiramente com a melodia, com uma ideia de letra, que vai sendo encaixada posteriormente. Gosto mais da sonoridade das palavras do que o sentido delas algumas vezes. A ideia \u00e9 que as letras n\u00e3o tentem chamar aten\u00e7\u00e3o pra si, mas que tenham algo a dizer.<br \/>\n<strong>GUILHERME:<\/strong> Eu posso falar que os vocais s\u00e3o o bolo e a banda \u00e9 a cereja. Embora pare\u00e7a apenas mais um instrumento, e que voc\u00ea n\u00e3o entenda claramente o que a letra esta querendo dizer, se voc\u00ea realmente tiver curiosidade em saber, ali est\u00e1 sendo dito, susurrado ou gritado, basicamente todas as duvidas, inquieta\u00e7\u00f5es, incertezas, de uma forma despretensiosa, mas ainda com uma ideia po\u00e9tica.<\/p>\n<p><strong>Qual o papel do Midsummer Madness e do Sinewave dentro desse processo?<\/strong><br \/>\n<strong>STEFANO:<\/strong> Temos orgulho de fazer parte do cast do Midsummer Madness e do Sinewave. Al\u00e9m de apoiarem nosso estilo de som aqui no Brasil, nos auxiliam com a divulga\u00e7\u00e3o dos discos e oportunidades de shows pelo pa\u00eds. Conseguimos desta forma nos focar na m\u00fasica, que \u00e9 o que sabemos fazer.<br \/>\n<strong>GUILHERME:<\/strong> \u00c9 muito importante. Sempre foi sem exig\u00eancias ou cobran\u00e7as de ambas as partes. Os maiores shows e melhores condi\u00e7\u00f5es que tivemos, devemos muito a eles. A Loomer sempre dependeu de pessoas que gostam da gente a ponto de proporem oportunidades que muitas bandas gostariam de ter. Vai ser dif\u00edcil citar todas as pessoas amigas que nos ajudaram a mostrar nosso som fora de Porto Alegre. \u00c9 bom lembrar que Porto Alegre, talvez s\u00f3 agora esteja entendendo de bom grado, que a Loomer, com o tipo de som que faz, sempre teve mais reconhecimento de S\u00e3o Paulo e outros estados que do RS. Somos daqui e aqui queremos ficar, mas as coisas parecem cada dia mais dif\u00edceis hoje em dia.<br \/>\n<strong><br \/>\nComo avaliam a import\u00e2ncia das redes sociais no trabalho de divulga\u00e7\u00e3o das bandas independentes?<\/strong><br \/>\n<strong>STEFANO:<\/strong> A internet \u00e9 um \u00f3timo aux\u00edlio para divulga\u00e7\u00e3o de bandas. As coisas est\u00e3o mais f\u00e1ceis hoje do que em outras \u00e9pocas neste quesito.\u00a0Mas n\u00e3o somos muito bons no uso das redes sociais. Pessoalmente eu n\u00e3o gosto muito do algoritmo do Facebook que for\u00e7a as pessoas a postarem qualquer coisa que seja a todo momento se quiserem um espa\u00e7o. Acho que cria um v\u00edcio numa atividade que eu n\u00e3o gostaria de fazer. Os selos e o nosso p\u00fablico nos auxiliam nesta parte, ainda bem. A gente s\u00f3 precisa ter um material acess\u00edvel para as pessoas que buscam isso encontrar.<\/p>\n<p><strong>GUILHERME:<\/strong> Total, mas usamos de forma pessoal, quase amadora. Poder\u00edamos usar muito melhor, mas nos sentimos satisfeitos pelo que fazemos e o retorno que temos. Independente de Internet, as coisas continuam funcionando do mesmo jeito. \u00c9 o dinheiro e as mega corpora\u00e7\u00f5es que v\u00e3o continuar mandando e nos iludindo com uma falsa ideia de poder. Por isso, preferimos o anonimato e a obscuridade, podendo ser como a gente \u00e9, do que entrar mais ainda nesse mundo de manipula\u00e7\u00e3o e ilus\u00f5es de poder que sempre querem nos fazer engolir e nos manipular. Sugiro ler a resenha do <a href=\"https:\/\/www.botequimdeideias.com.br\/flogase\/loomer-deserter\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Floga-se<\/a>. Acho que ali ele diz mais de como somos em rela\u00e7\u00e3o a isso do que ousar\u00edamos tentar entender.<\/p>\n<p><strong>Como uma banda do Rio Grande do Sul foi parar no Par\u00e1, no outro extremo do pa\u00eds, no Festival Se Rasgum, em novembro do ano passado? E como foi a experi\u00eancia?<\/strong><br \/>\n<strong>STEFANO:<\/strong> Muito legal aonde a m\u00fasica consegue nos levar. Este tipo de experi\u00eancia s\u00f3 nos faz melhorar como pessoas. Saio do meu mundo fechado para conhecer outras pessoas que de uma forma ou outra se sentem conectados com a gente. Vejo outras bandas, repenso minhas atitudes, volto diferente. Ficam aqui agradecimentos ao Lari\u00fa, da Midsummer, ao Marcelo Damaso, do Serasgum, ao pessoal do Lava Divers pela parceria, ao Wilson e o Homer, da C\u00e9us de Abril, ao Camillo, da Turbo. Foi \u00f3timo.<br \/>\n<strong>GUILHERME:<\/strong> Rapaz, isso foi incr\u00edvel. Jamais poderia imaginar que Porto Alegre e Bel\u00e9m poderiam ter coisas em comum. O rio que tange a cidade, a cultura e arquitetura portuguesa, uma atitude de resist\u00eancia e amor a sua cidade. Desde os amigos das bandas de l\u00e1 (C\u00e9us de Abril, Turbo), o tratamento, a aprendizagem, e o pr\u00f3prio show em si, fez tudo valer a pena. Festivais desse porte e organiza\u00e7\u00e3o s\u00e3o muito enriquecedores. A banda se d\u00e1 conta da dimens\u00e3o em que ela est\u00e1, e pra n\u00f3s, que levamos a banda do jeito que conseguimos, sem um produtor, equipe ou assessoria externa efetiva, \u00e9 inacredit\u00e1vel participar. Creditamos isso, porque em qualquer parte do mundo sempre haver\u00e3o pessoas que gostam desse tipo de som&#8230;alto, de guitarras, cru, mas tamb\u00e9m viajante, que \u00e9 o espa\u00e7o em que a Loomer gravita.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Loomer - Lack\" width=\"1140\" height=\"641\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/4gRjTql6_ZQ?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><strong>Como a Loomer se v\u00ea no cen\u00e1rio do rock ga\u00facho e nacional?<\/strong><br \/>\n<strong>STEFANO:<\/strong> N\u00e3o saberia dizer. N\u00e3o tentamos nos inserir no cen\u00e1rio. N\u00e3o temos nenhum plano estrat\u00e9gico para nos posicionar em como as coisas funcionam. A gente simplesmente toca quando aparece uma oportunidade, libera m\u00fasicas quando elas est\u00e3o prontas, estas coisas. Temos uma paix\u00e3o pela m\u00fasica, e as coisas giram em torno disto. Temos amigos que tocam em outras bandas, nos mostram m\u00fasicas novas (ou antigas), vamos a shows deles, tomamos cerveja juntos, etc. Tento n\u00e3o pensar nas coisas como uma competi\u00e7\u00e3o, apenas uma viv\u00eancia.<br \/>\n<strong>GUILHERME:<\/strong> Isso pra n\u00f3s \u00e9 irrelevante. Mas na medida que h\u00e1 um retorno, um reconhecimento, uma historia pra ser ouvida, d\u00e1 a entender que n\u00e3o somos t\u00e3o desconhecidos como achamos (Risos). Falar em cen\u00e1rio hoje, e talvez sempre, \u00e9 complicado. J\u00e1 fizemos mais parte da &#8220;cena&#8221;, no inicio da banda, na virada dos anos 00\/10, quando parece que houve uma redescoberta pelo shoegaze, grunge\/anos 80\/90. Mas o cen\u00e1rio \u00e9 uma corrida pelo ef\u00eamero, e a banda quando come\u00e7ou j\u00e1 n\u00e3o tinha mais nenhum garoto (tirando a Liege ou a Fernanda)..ent\u00e3o na real, a cena que a gente quer ou gosta nunca vai fazer parte de um cen\u00e1rio atual. E a gente n\u00e3o consegue fazer m\u00e9dia com outras bandas pra se promover, a n\u00e3o ser que seja por total sintonia musical. E assim esperamos dos outros com a gente.<\/p>\n<p><strong>Voc\u00eas costumam situar as influ\u00eancias ali no final dos anos 80 e in\u00edcio dos 90, as resenhas est\u00e3o certas quanto \u00e0s refer\u00eancias musicais da banda ou muitas passam longe? E voc\u00eas leem as resenhas sobre a Loomer?<\/strong><br \/>\n<strong>STEFANO:<\/strong> Somos 4 integrantes, e cada um tem suas influ\u00eancias. Eu gosto muito de bandas dos anos 80 e 90, mas escuto bandas de todas as \u00e9pocas. Vou dizer que as resenhas que eu li da gente sempre tem muita coisa verdadeira sim. Quer dizer, como temos muitas influ\u00eancias, alguma banda sempre que citada, faz parte das que escutamos em um ou outro momento. Mas em termos de composi\u00e7\u00e3o estas influ\u00eancias ficam sutis, digamos assim. Sendo assim, quando uma resenha diz que tal m\u00fasica \u00e9 tal banda, eu acho engra\u00e7ado, pois sei que (geralmente) n\u00e3o deveria ser, quer dizer, intencionalmente ao menos, e acho interessante em como a pessoa recebe aquele som, como Interpreta o que escutou.<br \/>\n<strong>GUILHERME:<\/strong> Seria mais cool, dizer n\u00e3o, n\u00e3o damos bola pra isso. Mas lemos e somos interessados por todas. N\u00e3o s\u00e3o muitas, e \u00e9 uma forma de retribui\u00e7\u00e3o e aten\u00e7\u00e3o ao nosso som. Ficamos at\u00e9 surpresos que, com a tosquice com que gravamos e produzimos as coisas, a banda receba tantos coment\u00e1rios positivos. Sobre as nossas influ\u00eancias estarem situadas entre o final dos 80\/inicio dos 90, acho que \u00e9 por ai mesmo&#8230; mas o tempo e as d\u00e9cadas n\u00e3o podem resumir a descoberta e o interesse musical. Por exemplo, \u00e9 evidente que nos anos 70, bandas de Manchester, garage e college rock americano, punks ou p\u00f3s punks como Damned ou Wire, ou o Kraut Rock tamb\u00e9m fazem muito a nossa cabe\u00e7a.<\/p>\n<p><strong>Qual o segredo por detr\u00e1s das paredes sonoras da m\u00fasica da Loomer?<\/strong><br \/>\n<strong>STEFANO:<\/strong> A gente faz uma barulheira tamanha que s\u00f3 d\u00e1 pra saber o que aconteceu quando rebobina a fita e bota pra rolar.<br \/>\n<strong>GUILHERME:<\/strong> Se n\u00e3o houvesse paredes n\u00e3o haveriam segredos? Ou, se vc est\u00e1 dizendo que existe um segredo, quem somos n\u00f3s pra revelar? (Risos) \u00c9 uma pergunta pra dar uma resposta nada a ver n\u00e9? (Risos).<\/p>\n<p><strong>Voc\u00eas identificam algum elemento principal que faz com que a banda esteja na ativa at\u00e9 hoje? E a maneira como voc\u00eas enxergavam a Loomer em 2008 \u00e9 a mesma como enxergam hoje em dia?<\/strong><br \/>\n<strong>STEFANO:<\/strong> Acho que a gente se aceita, e se respeita, por melhor ou pior que seja, no sentido de entender as limita\u00e7\u00f5es de cada um, nossa velocidade, e etc. N\u00e3o ter tanta ambi\u00e7\u00e3o ajuda tamb\u00e9m a n\u00e3o colapsar. Mas fundamentalmente ter muitas pessoas que realmente nos apoiam e gostam das nossas m\u00fasicas, isso nos motiva.<br \/>\n<strong>GUILHERME:<\/strong> \u00c9 n\u00e3o pensar, ou racionalizar muito sobre isso, e ao mesmo tempo ainda perceber que existem pessoas Interessadas, ou uma ideia que existam pessoas que curtam e entendam o que a gente tenta fazer. O pr\u00f3prio tempo muda o jeito de enxergar as coisas&#8230;mas a gente procura manter o mesmo jeito com que come\u00e7amos, porque acho que sempre fomos e seremos assim. Se tent\u00e1ssemos de outro jeito n\u00e3o sei se seria a Loomer. \u00c9 mais ou menos como um ser que tem vida pr\u00f3pria, mas precisa fortalecer e evoluir sua personalidade.<\/p>\n<p><strong>Quais o pr\u00f3ximos passos da banda e para quando podemos esperar um show de voc\u00eas na Bahia?<\/strong><br \/>\n<strong>STEFANO:<\/strong> Sobre pr\u00f3ximos passos, vamos fazer shows, compor m\u00fasicas novas e relembrar as antigas. E assim vamos indo. Adoraria poder tocar na Bahia, com certeza. Espero que role, s\u00f3 chamar! Ali\u00e1s, demais que voc\u00eas gostem do nosso som por a\u00ed, e tenham dedicado um tempo pra gente. Desculpe pela demora nas respostas. Um abra\u00e7o pra todos do Urge! e parab\u00e9ns pelo portal.<br \/>\nGuilherme: Algu\u00e9m esperar por um show nosso na Bahia \u00e9 definitivamente encantador. Espero que tenha umas cadeiras confort\u00e1veis pra t\u00e3o admir\u00e1veis pessoas. Acho que os melhores passos que podemos dar esse ano seria tocar na Bahia, em Minas, Pernambuco, ou qualquer outro lugar que ainda n\u00e3o tivemos a chance de pisar nos pedais. Que Nosso Senhor do Bonfim e iniciativas como a sua nos mantenham vivos e ativos, mutuamente. Sarav\u00e1!<\/p>\n<p><strong>MAIS SOBRE LOOMER: <\/strong><a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/banda.loomer\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Facebook<\/a> | <a href=\"https:\/\/loomerband.bandcamp.com\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Bandcamp<\/a> | <a href=\"https:\/\/twitter.com\/loomerband\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Twitter<\/a> | <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/loomerband\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Instagram<\/a><br \/>\n<strong><br \/>\n<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O\u00a0quarteto Loomer \u00e9 de Porto Alegre, mas sua m\u00fasica est\u00e1 al\u00e9m de quaisquer fronteiras, sejam elas de tempo ou espa\u00e7o, pois reverbera como ondas flutuando pelo c\u00e9u, choca-se tanto na &#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":5261,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1573],"tags":[2073,2074,7195,846,849,234],"class_list":["post-5260","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-entrevistas","tag-deserter","tag-dissenso","tag-entrevista-loomer","tag-loomer","tag-midsummer-madness","tag-shoegaze"],"aioseo_notices":[],"aioseo_head":"\n\t\t<!-- All in One SEO 5.0.4 - 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