{"id":5002,"date":"2018-05-19T14:16:38","date_gmt":"2018-05-19T17:16:38","guid":{"rendered":"https:\/\/hom.urgesite.com.br\/?p=5002"},"modified":"2021-03-19T14:42:09","modified_gmt":"2021-03-19T17:42:09","slug":"entrevista-joilson-santos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/hom.urgesite.com.br\/?p=5002","title":{"rendered":"ENTREVISTA | Joilson Santos"},"content":{"rendered":"<p>Quem conhece um pouco o cen\u00e1rio alternativo musical de Feira de Santana sabe o qu\u00e3o dif\u00edcil \u00e9 manter uma banda, produzir shows, encontrar espa\u00e7os para ensaiar\/tocar. De alguns anos pra c\u00e1 algumas coisas parecem ter mudado, outras insistem em permanecer do mesmo jeito. Tentando conhecer e entender um pouco mais a respeito das dificuldades enfrentadas, al\u00e9m de divulgar o trabalho de pessoas envolvidas nesse cen\u00e1rio, o Urge! publicar\u00e1 algumas entrevistas com esses &#8220;atores&#8221; t\u00e3o importantes para o funcionamento dessa engrenagem complexa chamada &#8220;cena alternativa&#8221;, se \u00e9 que j\u00e1 podemos falar de cena. Dando in\u00edcio, mandamos alguma perguntas para Joilson Santos, m\u00fasico (<a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/clubedepatifes\/\">Clube de Patifes<\/a> e <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/erasybr\/\">Erasy<\/a>) e respons\u00e1vel pela Produ\u00e7\u00e3o e Gest\u00e3o do <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/feiracoletivo\/\">Feira Coletivo Cultural<\/a>, que voc\u00eas acompanham abaixo.<\/p>\n<p><strong>Da \u00e9poca do surgimento para hoje, o que mudou no Coletivo? Como enxerga o papel do mesmo no cen\u00e1rio local, regional e nacional?<\/strong><br \/>\n<strong>R:<\/strong> Muita coisa mudou, \u00e9 meio dif\u00edcil qualquer coisa n\u00e3o sofrer a influ\u00eancia do tempo. O coletivo para se manter na ativa se reconfigurou bastante, n\u00e3o s\u00f3 na forma de atuar mas na pr\u00f3pria forma\u00e7\u00e3o, diversas pessoas passaram pelo grupo, deram contribui\u00e7\u00f5es importantes, e ajudaram a formar o que \u00e9 hoje o Feira Coletivo. Muitas mudan\u00e7as s\u00e3o frutos dos aprendizados, das experi\u00eancias, viv\u00eancias que temos ao longo desses quase 10 anos. Mas ao mesmo tempo algumas coisas permanecem da mesma forma, como a nossa f\u00e9 na m\u00fasica autoral e independente, no potencial que Feira e a Bahia tem dentro desse universo e na qualidade dos artistas que produzem por aqui. Acredito que nosso papel foi e \u00e9 importante por que trazemos contribui\u00e7\u00f5es para tudo isso que a gente se envolve, somos um coletivo que pensa a cena local, busca formas de impulsion\u00e1-la mas tamb\u00e9m conectamos a cidade com outras cenas, recebemos bandas e produtores de outras regi\u00f5es e a cria\u00e7\u00e3o do festival foi fundamental para a cidade neste sentido. Coloca a cidade na rota de turn\u00eas, no mapa da m\u00fasica independente.<\/p>\n<p><strong>Al\u00e9m de fomentar a cultura alternativa, h\u00e1 uma proposta de conscientiza\u00e7\u00e3o social ou pol\u00edtica no FCC?<\/strong><br \/>\n<strong>R:<\/strong> N\u00e3o sei se o fim seria essa conscientiza\u00e7\u00e3o, mas temos uma posi\u00e7\u00e3o clara sobre muitas coisas e nossa vis\u00e3o de mundo se reflete em nossas a\u00e7\u00f5es, eventos, artistas que trabalhamos,  e o p\u00fablico que t\u00e1 conectado ao Feira Coletivo entende isso a partir desses projetos. Em 2015 mesmo a parte de forma\u00e7\u00e3o do festival foi toda voltada para discutir assuntos importante e pertinentes \u00e0 cidade. Mobilidade, direito \u00e0 cidade, quest\u00f5es como homofobia, racismo estiveram presentes em nossas oficinas, mesas redondas, na nossa programa\u00e7\u00e3o de shows tamb\u00e9m. Quando a gente traz em 2015 a T\u00e1ssia Reis, ou Larissa Luz em 2017, por exemplo, mulheres negras, que sentem na pele machismo, racismo e que discutem isso em suas m\u00fasicas, nos seus shows, a gente na verdade quer amplificar a partir do nosso festival, o que elas t\u00eam a dizer, por que a gente tamb\u00e9m pensa de forma semelhante sobre as mesmas quest\u00f5es e utiliza o evento como espa\u00e7o de reflex\u00e3o e debates.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/hom.urgesite.com.br\/index.php\/2017\/11\/13\/entrevista-novelta\/\">>>> Leia: Entrevista com Novelta <<<<\/a><br \/>\n<a href=\"https:\/\/hom.urgesite.com.br\/index.php\/2017\/10\/11\/entrevista-iorigun\/\">>>> Leia: Entrevista com Iorigun <<<<\/a><br \/>\n<a href=\"https:\/\/hom.urgesite.com.br\/index.php\/2017\/10\/27\/entrevista-sofie-jell\/\">>>> Leia: Entrevista com Sofie Jell <<<<\/a><\/p>\n<p><strong>Os objetivos\/metas alcan\u00e7ados pelo Coletivo at\u00e9 o momento est\u00e3o dentro do esperado?<\/strong><br \/>\n<strong>R:<\/strong> Dentro do esperado n\u00e3o, porque a gente queria muito mais para cidade e para os artistas independentes, para cultura de nosso estado. Mas ano que vem a gente completa 10 anos de exist\u00eancia, e muito do que a gente fez tem resultados acima de nossas expectativas, outros n\u00e3o. \u00c9 natural isso, e sempre vai ser desse jeito. O <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/feiranoise\/\">Feira Noise<\/a> \u00e9 um exemplo de algo que cresceu muito ao longo dos anos, muito al\u00e9m de nossas expectativas, ao mesmo tempo, o coletivo sempre esteve engajado na luta por mais investimento p\u00fablico na cultura, por pol\u00edticas p\u00fablicas que ajudassem no desenvolvimento das atividades culturais dentro de Feira de Santana e do Estado da Bahia principalmente, mas estas quest\u00f5es avan\u00e7aram  muito pouco, apesar de nossos esfor\u00e7os junto a diversos agentes culturais nessa quest\u00e3o, diversos problemas que t\u00ednhamos h\u00e1 10, 15 anos atr\u00e1s permanecem.<\/p>\n<p><strong>Em uma entrevista de 2016 para o site <a href=\"https:\/\/www.elcabong.com.br\/papo-com-quem-faz-joilson-santos-colocando-feira-na-rota\/\">El Cabong<\/a>, voc\u00ea pontuou a falta de espa\u00e7os para shows de pequeno e m\u00e9dio porte na cidade, mudou algo de l\u00e1 pra c\u00e1?<\/strong><br \/>\n<strong>R:<\/strong> N\u00e3o. Continuamos com grandes dificuldades nesse sentido, e isso inviabiliza a produ\u00e7\u00e3o de muitos eventos e shows que gostar\u00edamos de trazer para a cidade. Temos poucas casas, e estas existentes contam com um formato que encarece muito as produ\u00e7\u00f5es e isso dificulta muito nosso trabalho e de diversos produtores de Feira.<\/p>\n<p><strong>\u00c9 verdade que eventos alternativos n\u00e3o se pagam com a bilheteria, mas com o bar, com o consumo? J\u00e1 pensaram em ter um espa\u00e7o pr\u00f3prio do FCC?<\/strong><br \/>\n<strong>R:<\/strong> Na verdade bilheteria e bar se complementam, s\u00f3 o bar tamb\u00e9m n\u00e3o cobre os custos em eventos sem patroc\u00ednios. O que ajuda muito \u00e9 quando a produ\u00e7\u00e3o tem o bar e a bilheteria, mesmo assim a possibilidade de sair no vermelho \u00e9 grande e bem prov\u00e1vel (rsrs). A ideia do espa\u00e7o nosso \u00e9 antiga mas ainda n\u00e3o conseguimos viabiliz\u00e1-la, mas acredito que esteja mais perto que nunca de isso acontecer, o tempo inteiro estamos pensando nisso, mas ainda n\u00e3o encontramos solu\u00e7\u00f5es que nos ajudem a fazer isso acontecer.<\/p>\n<p><strong>Qual a sua opini\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o as parcerias para a realiza\u00e7\u00e3o de eventos alternativos? \u00c9 poss\u00edvel realizar sem patroc\u00ednio p\u00fablico ou privado?<\/strong><br \/>\n<strong>R:<\/strong> Investimento p\u00fablico e privado ainda \u00e9 fundamental para realiza\u00e7\u00e3o de eventos, mas isso n\u00e3o significa que seja imposs\u00edvel fazer sem eles. O Feira Noise \u00e9 um grande exemplo disso, ainda sofremos com a falta de apoio, mas cada ano que passa, a gente se reinventa, busca novas solu\u00e7\u00f5es e caminhamos mais e mais para um formato autossustent\u00e1vel e que para mim \u00e9 fundamental. O estado reduziu o apoio e fomento \u00e0 cultura aos editais, que n\u00e3o rola todo ano. Em 2017 mesmo n\u00e3o houve edital do fundo de cultura do estado, e quando t\u00eam ocorre um monte de problemas com repasse dos recursos, atrasos e adiamentos e \u00e9 bem complicado depender deles dessa forma. Al\u00e9m, \u00e9 claro, da possibilidade de seu projeto n\u00e3o ser aprovado.  Por isso que \u00e9 bem comum projetos legais que surgem e desaparecem logo em seguida, a possibilidade do evento n\u00e3o se pagar sem um edital ou um grande patrocinador \u00e9 sempre muito grande. Da parte do setor privado \u00e9 bem pior, geralmente n\u00e3o investem na produ\u00e7\u00e3o cultural e em quase 100% das vezes que voc\u00ea vir uma marca vinculada ao evento ela est\u00e1 atrelada a pol\u00edtica dos editais a partir de isen\u00e7\u00e3o fiscal, uma ferramenta que tinha como objetivo impulsionar o investimento privado na cultura acabou sendo distorcido e viciando as empresas nesse mecanismo onde elas investem pouco ou nada e d\u00e3o evid\u00eancia a sua marca.<\/p>\n<blockquote><p>Como disse no in\u00edcio a participa\u00e7\u00e3o do poder p\u00fablico \u00e9 fundamental, cultura \u00e9 direito garantido na constitui\u00e7\u00e3o, mas acredito que seja necess\u00e1rio pensar em mais mecanismos para fomento dela, tamb\u00e9m \u00e9 necess\u00e1rio repensar e ampliar a pol\u00edtica de edital.<\/p><\/blockquote>\n<p>O or\u00e7amento destinado a cultura \u00e9 outro problema, \u00e9 sempre min\u00fasculo e em qualquer sinal de crise \u00e9 o primeiro a ser cortado, e \u00f3bvio que os governos fazem isso sem pensar no estrangulamento de toda uma cadeia produtiva que depende de recursos e que ainda \u00e9 fr\u00e1gil por conta dessas quest\u00f5es que falei acima.<\/p>\n<p><strong>Tempos atr\u00e1s se falava que a cidade n\u00e3o tinha uma cena independente devido a falta de uni\u00e3o de bandas, produtores de eventos, capacita\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica, etc., voc\u00ea concorda? E o que acha da cena independente atual de forma geral?<\/strong><br \/>\n<strong>R:<\/strong> Eu discordo de alguns pontos, Feira sempre teve uma cena independente, sempre houve shows, bandas em atividades e muita coisa interessante acontecendo. Faltava sim capacita\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica, mais produtores, casas de shows, mais discos sendo gravado, clipes. Isso mudou bastante, hoje temos um monte de bandas em atividade, fazendo material de qualidade, \u00f3timos shows, temos uma galera atuando com mais profissionalismo, isso \u00e9 important\u00edssimo e tem ajudado bastante a dar mais evid\u00eancia a tudo que \u00e9 produzido dentro da cidade. <\/p>\n<p><strong>Embora voc\u00eas promovam diversos eventos ao longo do ano, a percep\u00e7\u00e3o \u00e9 de que as coisas come\u00e7am a acontecer mesmo no segundo semestre, quando ocorre o Feira Noise, inclusive at\u00e9 o pr\u00f3prio site reflete isso, o que poderia falar a respeito?<\/strong><br \/>\n<strong>R:<\/strong> Isso varia um pouco a cada ano, mas em Feira de Santana a gente tem uma dificuldade maior de realizar eventos no primeiro semestre. Janeiro as pessoas viajam muito, fevereiro tem o carnaval, mar\u00e7o tem diversos feriados e abril tem o micareta, da para fazer, mas tem um efeito claro no tamanho do p\u00fablico. Mas j\u00e1 teve ano que produzimos bastante no primeiro semestre, mas era um per\u00edodo que a cena independente brasileira estava bem mais aquecida, com um monte de turn\u00ea rolando, diversos coletivos pelo Brasil atuando de forma constante e com muita for\u00e7a,  isso deu um ganho na m\u00fasica independente sem precedentes e \u00e9 claro que refletia por aqui tamb\u00e9m, pois o tempo todo tinha banda legal passando pela cidade e a gente se esfor\u00e7ava para receber o m\u00e1ximo de artistas em circula\u00e7\u00e3o dividindo palco com bandas da cidade. O que ocorreu \u00e9 que isso deu uma diminu\u00edda gigante, poucas bandas circulando, o momento econ\u00f4mico do pa\u00eds \u00e9 outro tamb\u00e9m, dificultou circula\u00e7\u00e3o de agentes culturais, bandas, artistas, e um n\u00famero menor de eventos acabam esfriando o p\u00fablico. Por outro lado a dificuldade de local e os custos para produzir aumentaram. Resultado \u00e9 o Feira Coletivo produzindo  menos eventos, mas a cidade segue fervilhante com uma programa\u00e7\u00e3o cultural bem rica e diversa.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/hom.urgesite.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/feira-noise-2017-700x394.jpg\" alt=\"\" width=\"700\" height=\"394\" class=\"alignnone size-presso_thumbnail_large wp-image-5004\" srcset=\"https:\/\/hom.urgesite.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/feira-noise-2017-700x394.jpg 700w, https:\/\/hom.urgesite.com.br\/wp-content\/uploads\/2018\/05\/feira-noise-2017-150x83.jpg 150w\" sizes=\"auto, (max-width: 700px) 100vw, 700px\" \/><\/p>\n<p><strong>Ainda sobre Feira Noise, tr\u00eas dias de eventos, deve ser bem trabalhoso, inclusive devido a quantidade de artistas envolvidos, como voc\u00eas administram a log\u00edstica?<\/strong><br \/>\n<strong>R:<\/strong> Sim \u00e9 muito trabalhoso, mas a gente vem aprendendo muito ao longo dos anos com o festival, e sempre corrigindo erros de uma edi\u00e7\u00e3o na edi\u00e7\u00e3o seguinte. Tamb\u00e9m trocamos muita informa\u00e7\u00f5es com produtores de outros festivais, frequentamos alguns tamb\u00e9m, isso gera uma troca rica de aprendizado que nos ajuda muito. A log\u00edstica \u00e9 uma das partes mais complicadas do evento por isso \u00e9 a que a gente come\u00e7a a fazer bem mais cedo, cerca de 3 meses antes, planilhas e mais planilhas com o m\u00e1ximo de informa\u00e7\u00e3o poss\u00edvel para que tudo funcione minuciosamente bem, s\u00e3o muitas bandas chegando, outras indo embora, hor\u00e1rios para passagens de som, montagem e desmontagem, sa\u00edda e chegada. A gente sempre coloca colaboradores neste setor, gente que quer experimentar e aprender vivenciando o festival, isso ajuda de v\u00e1rias formas e acaba capacitando mais pessoas nesta \u00e1rea. <\/p>\n<p><strong>Quais os crit\u00e9rios para um artista, seja ele local ou nacional, participar do Feira Noise?<\/strong><br \/>\n<strong>R:<\/strong> A gente observa muita coisa, l\u00f3gico que o principal \u00e9 que seja artista com trabalho autoral, e de qualidade, mas al\u00e9m disso a banda\/artista precisa t\u00e1 trabalhando, se movimentando, lan\u00e7ando disco, fazendo shows, circulando, lan\u00e7ando clipes, envolvido com este cen\u00e1rio, ou seja, tem que ser um artista que esteja apostando no seu trabalho e de alguma forma chamando aten\u00e7\u00e3o com isso. A gente v\u00ea muito artista que at\u00e9 tem trabalho autoral, mas se voc\u00ea vai numa apresenta\u00e7\u00e3o dele no m\u00e1ximo toca 1 ou 2 m\u00fasicas autorais, ou seja, nem ele acredita em seu trabalho. N\u00e3o temos nada contra isso, mas n\u00e3o \u00e9 o perfil que a gente procura para o festival. A gente acredita que o mercado de m\u00fasica independente tem potencial, \u00e9 forte, est\u00e1 crescendo, e procuramos artistas que estejam seguindo esse caminho tamb\u00e9m, entendendo todo esse contexto e tentando colocar sua arte neste processo da melhor forma poss\u00edvel, com o m\u00e1ximo de profissionalismo, a\u00ed o festival cumpre seu papel que \u00e9 auxiliar\/impulsionar esse trabalho. <\/p>\n<blockquote><p>Abrimos espa\u00e7o para artistas\/bandas que est\u00e3o no in\u00edcio da carreira tamb\u00e9m, mas que de cara j\u00e1 mostram a que veio, exemplo disso s\u00e3o bandas como a Iorigun e Sofie Jell na edi\u00e7\u00e3o de 2017. Al\u00e9m disso, claro que as bandas que tem se destacado nacionalmente, ou com carreira consolidada,  que circulam dentro desse universo que \u00e9 a m\u00fasica independente brasileira, \u00e9 alvo para o festival e dentro das nossas possibilidades integram a programa\u00e7\u00e3o. <\/p><\/blockquote>\n<p><strong>Recentemente saiu nas redes sociais uma declara\u00e7\u00e3o feita por um dos criadores do <a href=\"https:\/\/www.coletivosuicabahiana.com.br\">Festival Su\u00ed\u00e7a Bahiana<\/a>, que tamb\u00e9m faz parte do Fora do Eixo, onde ele falava do preju\u00edzo que teve no ano passado, devido a diferen\u00e7a entre p\u00fablico esperado e efetivo. O FCC j\u00e1 passou por algo parecido? Como driblar esse tipo de situa\u00e7\u00e3o?<\/strong><br \/>\n<strong>R:<\/strong> J\u00e1 passamos por isso diversas vezes e essas dificuldades inclusive interromperam a sequ\u00eancia do festival duas vezes e deixamos de fazer o evento em 2013 e em 2016. \u00c9 bem dif\u00edcil voc\u00ea fazer eventos como o nosso, sem patroc\u00ednio e conseguir cobrir todos os custos com a bilheteria e o bar. Por conta disso trabalhar com modelos diferentes de produ\u00e7\u00e3o, utilizando diversas tecnologias que aprendemos com a economia solid\u00e1ria,  envolvendo mais colaboradores e muita criatividade conseguimos reduzir muito o custo do festival e isso \u00e9 important\u00edssimo para sobreviv\u00eancia do evento. N\u00e3o existe um festival independente no Brasil que j\u00e1 n\u00e3o tenha passado pelas dificuldades que o Su\u00ed\u00e7a Bahiana passou, e n\u00f3s tamb\u00e9m diversas vezes. Na verdade, todo ano \u00e9 como se a gente fosse fazer o evento pela primeira vez, no que diz respeito aos recursos para financiar o Feira Noise, \u00e9 sempre uma decis\u00e3o dif\u00edcil por conta dessas quest\u00f5es e outras como a eterna dificuldade para conseguir o espa\u00e7o para sua realiza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Voc\u00eas t\u00eam um perfil tra\u00e7ado do p\u00fablico que vai aos eventos realizados pelo FCC, principalmente ao Feira Noise?<\/strong><br \/>\n<strong>R:<\/strong> Temos sim. \u00c9 um p\u00fablico bem variado, no caso do Feira Noise, por conta da diversidade da programa\u00e7\u00e3o, mas claro que o perfil socioecon\u00f4mico \u00e9 de uma concentra\u00e7\u00e3o na classe m\u00e9dia, principalmente por ser um evento pago. Na idade, o p\u00fablico fica entre 16 e 60 anos, com uma concentra\u00e7\u00e3o maior entre as idades de 18 e 35 anos. Durante o ano isso muda um pouco a depender das atra\u00e7\u00f5es que comp\u00f5em a programa\u00e7\u00e3o do evento em quest\u00e3o.  Tem shows que concentra um p\u00fablico mais jovem, outros um p\u00fablico um pouco mais velho e por a\u00ed vai.<\/p>\n<p><strong>Como anda a programa\u00e7\u00e3o de 2018? Poderia adiantar algo em rela\u00e7\u00e3o a pr\u00f3ximos eventos e Feira Noise?<\/strong><br \/>\n<strong>R:<\/strong> Bem, j\u00e1 temos a data mais ainda n\u00e3o conseguimos confirma\u00e7\u00e3o do local.  Se tudo correr como planejado, o evento acontecer\u00e1 em novembro novamente entre 23 e 25.  J\u00e1 estamos conversando com algumas atra\u00e7\u00f5es, mas por enquanto n\u00e3o podemos adiantar nada ainda. Mas seguimos atentos a cena independente, analisando um monte de possibilidades no que diz respeito a programa\u00e7\u00e3o. Em rela\u00e7\u00e3o aos eventos menores, provavelmente no segundo semestre a gente realizar\u00e1 alguns eventos de aquecimento pro festival. Temos produzido  eventos de metal junto \u00e0 Dopesmoke Produ\u00e7\u00f5es, que \u00e9 uma produtora\/selo voltada pra m\u00fasica pesada que criamos junto com outros nomes da cena da cidade e conta com a parceria de marcas importantes do metal feirense como <a href=\"https:\/\/www.thundergodzine.com.br\/\">Thundergod Zine<\/a> do The Metalvox Rec, Putrid Design, U.H.F e j\u00e1 realizamos o primeiro evento em mar\u00e7o e o pr\u00f3ximo ser\u00e1 agora em junho, estamos avaliando a possibilidade de j\u00e1 sair um festival voltado pra m\u00fasica pesada j\u00e1 no pr\u00f3ximo semestre. <\/p>\n<p><strong>Considera\u00e7\u00f5es finais&#8230;<\/strong><br \/>\n<strong>R:<\/strong> Gostaria de agradecer ao espa\u00e7o e todo engajamento do Urge! na cobertura do Feira Noise do ano passado, iniciativas como a de voc\u00eas s\u00e3o important\u00edssimas para cidade e fundamental para nosso cen\u00e1rio. Fico muito feliz de ter uma m\u00eddia com o quilate do Urge! em atividade em Feira de Santana muito atenta a tudo que acontece no que diz respeito ao rock e a m\u00fasica alternativa\/independente brasileira e gringa, mas sem perder o foco no que ocorre em nossa cidade. <\/p>\n<p><strong>:: Assista abaixo a apresenta\u00e7\u00e3o da Clube de Patifes no Feira Noise 2015:<\/strong><\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" width=\"1140\" height=\"641\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/_3983AGO9TA?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"autoplay; encrypted-media\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quem conhece um pouco o cen\u00e1rio alternativo musical de Feira de Santana sabe o qu\u00e3o dif\u00edcil \u00e9 manter uma banda, produzir shows, encontrar espa\u00e7os para ensaiar\/tocar. 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