{"id":11677,"date":"2020-03-24T20:15:13","date_gmt":"2020-03-24T23:15:13","guid":{"rendered":"https:\/\/hom.urgesite.com.br\/?p=11677"},"modified":"2023-08-28T17:41:10","modified_gmt":"2023-08-28T20:41:10","slug":"entrevista-jorge-cabeleira","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/hom.urgesite.com.br\/?p=11677","title":{"rendered":"Dirceu Melo, da banda Jorge Cabeleira, fala sobre novo \u00e1lbum e mais"},"content":{"rendered":"<p><span class='vw-dropcap vw-dropcap-box'>S<\/span>urgida na efervescente Recife da d\u00e9cada de 90, mais precisamente em 1994, a banda Jorge Cabeleira e o Dia em que Seremos Todos In\u00fateis, com pouco tempo de formada logo come\u00e7ou a chamar a aten\u00e7\u00e3o de p\u00fablico e cr\u00edtica. Reza a lenda que a banda participou do Recife Rock Show, se apresentando como duas bandas, a pr\u00f3pria Jorge Cabeleira e Os Mordomos, ficando em segundo lugar e terceiro lugar, respectivamente. N\u00e3o demorou para que conseguissem contrato com uma grande gravadora, a Sony Music atrav\u00e9s do selo Chaos, que lan\u00e7ou o primeiro e hom\u00f4nimo \u00e1lbum em 1995.<\/p>\n<p>A banda preza pela fus\u00e3o do aut\u00eantico som nordestino, o Bai\u00e3o, com o Rock de tons setentistas de bandas como <strong>Led Zeppelin<\/strong>, com o Punk Rock, e resgatando o trabalho de nomes da m\u00fasica nordestina como <strong>Z\u00e9 Ramalho<\/strong>, <strong>Alceu Valen\u00e7a <\/strong>e <strong>Luiz Gonzaga<\/strong>, de quem fizeram um <em>medley<\/em> com &#8220;Cheiro de Carolina&#8221; e &#8220;Xote das Meninas&#8221; em vers\u00e3o Hardcore que acabou se tornando seu maior <em>hit<\/em>, alcan\u00e7ando o primeiro lugar no programa Disk MTV.<\/p>\n<p>A recusa em mudarem para o Sudeste e as mudan\u00e7as no mercado fonogr\u00e1fico nacional fizeram com que o contrato com a Sony fosse pro espa\u00e7o. Sem gravadora, levou um bom tempo para a banda se recuperar e conseguir lan\u00e7ar seu segundo \u00e1lbum, <em>Alugam-se Asas para o Carnaval<\/em> (2001). Em 2014, em comemora\u00e7\u00e3o aos vinte anos da banda, lan\u00e7aram a colet\u00e2nea <em>Trazendo Luzes Eternas, <\/em>que compila can\u00e7\u00f5es dos dois primeiros \u00e1lbuns e duas in\u00e9ditas.<\/p>\n<p>No ano passado, ap\u00f3s um hiato de aproximadamente dezoito anos sem lan\u00e7ar um novo disco, a banda lan\u00e7ou seu terceiro \u00e1lbum, intitulado simplesmente <em>Jorge Cabeleira III <\/em>(2019), com a retomada dos elementos que fizeram parte da hist\u00f3ria da banda desde as primeiras can\u00e7\u00f5es e adicionando novas refer\u00eancias musicais, incluindo da World Music e Reggae.<\/p>\n<p>Conversamos o guitarrista e vocalista <strong>Dirceu Melo<\/strong>, falou sobre o processo de cria\u00e7\u00e3o do novo \u00e1lbum, projetos paralelos, dificuldades de sobreviver de m\u00fasica no Brasil, e contou tamb\u00e9m o que levou a banda optar em continuar morando em Recife e n\u00e3o irem para o Sul do pa\u00eds, na d\u00e9cada de 90.<\/p>\n<hr \/>\n<p><strong>Primeiramente, o que pode falar a respeito do novo trabalho?<\/strong><\/p>\n<p><strong>R:<\/strong> O que eu acho do disco&#8230; bom tem v\u00e1rios aspectos em rela\u00e7\u00e3o ao disco. Se for em rela\u00e7\u00e3o ao aspecto musical, eu acho que \u00e9 um disco \u00f3timo! N\u00e3o \u00e9 dif\u00edcil n\u00e3o curtir o pr\u00f3prio disco que voc\u00ea acabou de fazer? Mas, enfim, na verdade esse disco \u00e9 a grande raz\u00e3o da banda ter voltado a trabalhar de tr\u00eas anos para c\u00e1. A banda estava parada muito tempo, voltamos em 2015, ou melhor, em 2013, se eu n\u00e3o me engano, para fazer alguns shows pelo Brasil. Lan\u00e7amos j\u00e1 um material in\u00e9dito naquela \u00e9poca, e depois acabou parando de novo, todo mundo com outros trabalhos tamb\u00e9m e tal.<\/p>\n<p>De tr\u00eas anos para c\u00e1, me deu vontade de dar uma atualizada na m\u00fasica da Jorge Cabeleira ao mundo de hoje. Como \u00e9 que a gente soaria em todos os aspectos, como a gente se portaria gravando, compondo depois de tanto tempo sem ter feito isso, a gente lan\u00e7ou o segundo disco logo no in\u00edcio dos anos 2000. Ent\u00e3o eu sentia essa vontade, j\u00e1 t\u00ednhamos voltado, j\u00e1 est\u00e1vamos fazendo alguns shows, p\u00f4 j\u00e1 tinha movimentado a banda, j\u00e1 tava se encontrando para ensaiar e tudo mais e a\u00ed me deu essa vontade de compor material novo.<\/p>\n<p><strong>Voc\u00eas n\u00e3o lan\u00e7avam um registro de est\u00fadio desde 2000, como foi a produ\u00e7\u00e3o desse disco com as entradas de Everton Belisca (bateria) e Ricardo Le\u00e3o (guitarra)? De que forma essa nova forma\u00e7\u00e3o influenciou na composi\u00e7\u00e3o e sonoridade?<\/strong><\/p>\n<p><strong>R:<\/strong> Pro material novo, chamei o Coelho, o Mesel, que s\u00e3o os membros originais, e expliquei: &#8220;Vamo fazer, cara. Tamo tendo uma condi\u00e7\u00e3o aqui de gravar&#8221;. O pessoal topou, a \u00fanica condi\u00e7\u00e3o que eu queria era que a gente fizesse realmente um disco que a gente pudesse se orgulhar depois? Do mesmo jeito que hoje em dia a gente olha para tr\u00e1s e se orgulha muito do primeiro e segundo disco. Ent\u00e3o, assim, o terceiro tinha que ser t\u00e3o bom quanto, pelo menos no nosso gosto?<\/p>\n<p>Sim, claro! Claro que a forma\u00e7\u00e3o influencia em tudo? S\u00e3o os meninos tocando ali com a gente na realidade. O Belisca gravou as baterias, mas as guitarras foram praticamente todas gravados por mim. Eu tava a fim de fazer um trabalho completo de guitarra e tal. O Djalma, o produtor do disco que coproduziu o disco com a gente, (Djalma Rodrigues) que \u00e9 m\u00fasico tamb\u00e9m (guitarrista) e produtor residente do Casona Studios, acabou fazendo comigo sess\u00f5es l\u00e1.<\/p>\n<p>Passamos v\u00e1rios dias fazendo guitarra, e chegou uma hora que eu nem aguentava mais, a cabe\u00e7a j\u00e1 tava cansada. \u00a0O ouvido tamb\u00e9m! E ele \u00e9 um \u00f3timo m\u00fasico, super amigo da gente, tamb\u00e9m super alinhado com a gente, ele: &#8220;Velho, faz a\u00ed uma guitarra assim assado&#8221;. E o curioso \u00e9 que ia gravar, eu sentava no computador para gravar, descansando a m\u00e3o e tudo mais, e a\u00ed ele ia gravar a guitarra, muito bacana todo esse processo. Ent\u00e3o, assim, voltando \u00e0 pergunta original, a gente n\u00e3o gravava desde 2001, j\u00e1 falei isso respondendo a pergunta anterior. E \u00e9 isso, processo foi superbacana.<\/p>\n<p><strong>Voc\u00eas tinham lan\u00e7ado dois discos excelentes. No primeiro, conseguiram a combina\u00e7\u00e3o perfeita entre Bai\u00e3o, Punk Rock, Forr\u00f3, Hardcore e riffs ledzeppelianos. No segundo, revitalizaram o leg\u00edtimo rock nordestino criado por Alceu Valen\u00e7a nos anos 70, muito mais sujo e dan\u00e7ante que o primeiro \u00e1lbum. E neste terceiro disco, com influ\u00eancias do Rock e da Psicodelia nordestina da d\u00e9cada de 1970. Como foi essa transi\u00e7\u00e3o entre os \u00e1lbuns para chegar neste atual?<\/strong><\/p>\n<p><strong>R:<\/strong> Pois \u00e9, cara, houve grandes mudan\u00e7as de um disco para outro. Do primeiro at\u00e9 o terceiro. No primeiro tem a gente&#8230; na verdade essa base de rock setentista, \u00e9 nossa principal base como banda, como forma\u00e7\u00e3o desde o in\u00edcio, desde antes quando nem \u00e9ramos Jorge Cabeleira. Essa coisa do Rock setentista, o Punk Rock, <strong>Sex P\u00ecstols<\/strong>, <strong>Ramones<\/strong>, e a\u00ed principalmente o <strong>Led Zeppelin<\/strong>,<strong> Jimy Hendrix<\/strong>, <strong>The Doors<\/strong>, <strong>Television<\/strong>, e o <strong>Pixies<\/strong>, que \u00e9 mais recente. Essas bandas eram as que faziam a cabe\u00e7a da gente quando garotos. E em determinado momento eu comecei a me interessar pela m\u00fasica nordestina. Comecei a jogar o Bai\u00e3o na guitarra e essa foi a semente original de fus\u00e3o que transformou a gente, que apontou para a gente no caminho saindo do rock \u201cnormal\u201d, tradicional, digamos assim, para uma coisa de fus\u00e3o, e foi onde a gente achou o nosso som.<\/p>\n<p>E come\u00e7amos a fus\u00e3o do Rock com o Bai\u00e3o de forma crua no primeiro disco. Do primeiro pra o segundo disco, j\u00e1 foram cinco anos de intervalo, a gente j\u00e1 tinha descoberto, e curtindo, e absorvendo muito, muito mais ritmos e muito mais m\u00fasicas de artistas de refer\u00eancia? Funk, Reggae, Dub, e principalmente o Blues tamb\u00e9m, de forma mais org\u00e2nica. Como o Blues \u00e9 a origem do Rock foi mais profundo no Rock. E com isso chega trazendo o Blues mais para perto tamb\u00e9m. E depois disso, um grande ato n\u00e9 onde cada um foi para um canto, eu comecei a trabalhar com produ\u00e7\u00e3o de eventos, tive um outro grupo chamado <em>Eta Carinae<\/em>, onde continuava comigo tamb\u00e9m o lance do Rock com o Bai\u00e3o, com o diferencial (na verdade essa \u00e9 minha linguagem, o meu som na guitarra que eu busco) de j\u00e1 n\u00e3o ser mais t\u00e3o pesado demais, mas tava l\u00e1 a Psicodelia, e tinha como novidade o Samba e o uso de batidas eletr\u00f4nicas.<\/p>\n<p>E com essa banda eu passei dez anos excursionando pela Europa e tendo a experi\u00eancia de festivais de World Music, conhecendo gente de todo lugar do mundo. Isso sempre me fascinou!<\/p>\n<p>Coelho, por outro lado, se aprofundou na produ\u00e7\u00e3o de m\u00fasica eletr\u00f4nica. \u00c9 um puta produtor de m\u00fasica eletr\u00f4nica que tem v\u00e1rios projetos, com muita gente bacana, e enfim \u00e9 natural, a pessoa vai mudando e vai absorvendo coisas novas e isso tamb\u00e9m se traduziu no terceiro onde voc\u00ea percebe a coisa da World Music. Voc\u00ea percebe o eletr\u00f4nico, a m\u00fasica com Ar\u00e1bica que Coelho fez as bases dela e usando a escala \u00e1rabe, trouxe uma coisa oriental ao World Music. Com o acr\u00e9scimo da base eletr\u00f4nica e tocar de uma forma Rock, enfim. Esse tipo de fus\u00e3o doida que a gente adora fazer, e o terceiro disco \u00e9 como os dos dois primeiros. \u00c9 um retrato da gente, da nossa \u00e9poca, de quem a gente era, do que a gente ouvia, do que a gente gostava! Como todo m\u00fasico, isso deve ser um retrato dos m\u00fasicos do momento ali do momento.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Jorge Cabeleira - Carolina (V\u00eddeo Clipe Completo)\" width=\"1140\" height=\"641\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/blNt0R7aV1A?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><strong>Com esse disco, j\u00e1 se v\u00e3o, nos meus c\u00e1lculos, vinte e cinco anos de banda (me corrija se eu estiver enganado), como voc\u00ea avalia a trajet\u00f3ria da banda? J\u00e1 fizeram essa auto-avalia\u00e7\u00e3o?<\/strong><\/p>\n<p><strong>R:<\/strong> Cara, nunca fizemos, paramos para sentar e fazer uma avalia\u00e7\u00e3o, sabe? Vivemos o momento! Se tem uma coisa que a gente n\u00e3o pode ser culpado \u00e9 de n\u00e3o ter vivido o momento, n\u00e9? No primeiro disco n\u00f3s \u00e9ramos, digamos assim verdes! A gente surgiu na cena e cresceu muito r\u00e1pido. Sa\u00edmos do nosso ensaio na casa do Davi, nosso baterista original, que infelizmente n\u00e3o est\u00e1 mais entre n\u00f3s. Sa\u00edmos ali dos ensaios de est\u00fadio e apresenta\u00e7\u00f5es em pequenas festas de amigos, de turminhas e tal, para participar de um festival tirando o primeiro e segundo lugar!<\/p>\n<p>Surgimos como uma grande revela\u00e7\u00e3o do Manguebeat e fomos crescendo vertiginosamente, aproveitando muito essa \u00e9poca, tocando que s\u00f3 no Brasil. Clips constantes no disque MTV, afinal era a parada de sucesso naquele momento. Entramos no disque MTV entre os 10 e depois foi subindo e subindo, quinto, quarto. Teve um dia que bateu o segundo, e depois o primeiro lugar no mesmo dia se n\u00f3s vivemos tudo isso a\u00ed! Fomos\/\u00e9ramos muito verdes n\u00e3o soubemos administrar aquela grande oportunidade, aquele grande sucesso que a gente tinha.<\/p>\n<p>A gravadora chamou a gente para ir morar no Sudeste e a gente n\u00e3o queria morar l\u00e1, pois n\u00e3o quer\u00edamos perder as ra\u00edzes daqui, de estar em Recife vivendo todo aquele momento m\u00e1gico que foi viver a cena Manguebeat dos anos 90, nos divertimos demais tocando aqui. Ir prestigiar os shows de outras bandas, enfim. Recife era um lugar muito foda de estar e viver toda aquela efervesc\u00eancia! T\u00ednhamos esses privil\u00e9gios e a gente n\u00e3o quis ir embora pro Sudeste, n\u00e3o quis deixar para tr\u00e1s a nossa liga\u00e7\u00e3o musical, isso foi um grande erro, no sentido de termos perdido essa oportunidade.<\/p>\n<p>Foi uma \u00e9poca que as gravadoras come\u00e7aram a declinar, cair, e elas come\u00e7aram a cortar custos, e foi numa dessas que a gente saiu da Sony! Foi um baque muito grande para gente, pois demoramos demais para nos reerguemos desse baque. E depois ent\u00e3o, nos reerguemos, reunimos a banda, Davi saiu da banda, Beto Legi\u00e3o j\u00e1 tinha sa\u00eddo. Davi foi morar nos Estados Unidos, e o Joaquim entrou, foi quando a gente come\u00e7ou a cozinhar ideias para o segundo. Lan\u00e7amos o segundo disco numa \u00e9poca que o mercado independente tamb\u00e9m ainda n\u00e3o existia direito. Era o fim das gravadoras, e o mercado de m\u00fasica independente que hoje \u00e9 uma coisa org\u00e2nica e que existe, consolidado e forte. Esse mercado movimenta um p\u00fablico bacana, movimentando dinheiro e tudo mais. No Brasil, ainda n\u00e3o existia na nossa \u00e9poca. Com isso, acabamos lan\u00e7ando o segundo disco e, tamb\u00e9m para procurarmos outras coisas, acabamos nos separando novamente.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, na verdade, n\u00e3o \u00e9 uma avalia\u00e7\u00e3o que fizemos da nossa carreira. Teve uma \u00e9poca mais intensa e que come\u00e7ou com o primeiro disco, os primeiros anos foram bem intensos, depois levou at\u00e9 o momento do segundo, e terminado o segundo a\u00ed a gente realmente resolveu fazer uma pausa. Cada um escolheu o que queria fazer da vida, trabalhar com outras coisas, tomar seus rumos e tudo mais. E isso tamb\u00e9m acabou desembocando agora no momento que resolvemos juntar e tal.<\/p>\n<p>E j\u00e1 estamos meio at\u00e9 que um pouco separados porque eu t\u00f4 morando em Portugal agora. Embora eu fique indo e voltando para o Brasil por causa dos meus neg\u00f3cios que est\u00e3o l\u00e1, os eventos. A gente t\u00e1 tocando de forma mais espor\u00e1dica ainda, e \u00e9 isso nunca nos sentimos, na verdade, quando a gente tinha 18, 19 anos, \u00a0que est\u00e1vamos meio que no auge, nunca \u00a0nos sentimos na obriga\u00e7\u00e3o de estar numa carreira ou de ir atr\u00e1s daquele espa\u00e7o determinado de cada banda porque a gente estava vivendo e curtindo um momento. A gente procurou realmente desenvolver uma carreira quando tivemos que trabalhar de forma independente pro segundo disco. Mas a\u00ed o mercado nacional ainda n\u00e3o dispunha de for\u00e7a.<\/p>\n<p>Voc\u00ea conseguir circular as informa\u00e7\u00f5es n\u00e3o era t\u00e3o f\u00e1cil como \u00e9 hoje, digamos assim. Ent\u00e3o isso n\u00e3o permitiu que constru\u00edssemos um bom prosseguimento de m\u00eddia e de alcance de massa.<\/p>\n<p>Voc\u00ea sai uma gravadora como a Sony e vai trabalhar no mercado independente que ainda \u00e9 incipiente, \u00e9 novo, ent\u00e3o \u00a0\u00e9 uma queda, isso n\u00e3o estimulou a gente permanecer no mercado musical, digamos assim, com a Jorge Cabeleira. Ent\u00e3o cada um foi em busca de outras coisas. Tivemos experi\u00eancias para fazer um planejamento, juntar banda, juntar recursos, articular gravar e tudo mais e a\u00ed estamos trabalhando com as outras coisas: eu com a minha produtora; Coelho com os projetos dele; cada um com suas coisas, o Mesel trabalha com inform\u00e1tica, e vamos levando quando aparece uma oportunidade da banda se juntar, quando rola um convite bacana, uma ocasi\u00e3o especial a gente se junta e toca. E \u00e9 isso a\u00ed!<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Jorge Cabeleira - Nervoso Na Beira do Mar\" width=\"1140\" height=\"641\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/n8Grx9v9BxI?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p><strong>Voc\u00eas lan\u00e7aram discos em intervalos cada vez maiores. Como foi o intervalo entre esses \u00e1lbuns? Por onde andou a Jorge Cabeleira nesses hiatos? O que podem falar sobre os projetos Eta Carinae e o Suvaca di Prata?<\/strong><\/p>\n<p><strong>R:<\/strong> Uma parte dessa pergunta eu acho que j\u00e1 respondi l\u00e1 atr\u00e1s, na verdade o primeiro projeto mesmo, maior que come\u00e7ou a juntar p\u00fablico e crescer e tudo mais foi o Manga Rosa. Desculpe, na verdade, corrigindo, o <strong>Suvaca di Prata<\/strong> realmente surgiu primeiro. O Joaquim, o nosso baterista, que gravou o segundo disco, juntamente com o Coelho e alguns amigos nossos de Recife se juntaram e montaram o Suvaca, que inicialmente era uma banda de vers\u00f5es e que depois chegou a gravar um disco de originais.<\/p>\n<p>O <strong>Eta Carinae<\/strong> surgiu j\u00e1 com material original desde o in\u00edcio, e desse eu posso falar mais. \u00c9 uma banda que eu formei. Antes do Eta Carinae, eu tive a oportunidade de vir para a Europa acompanhando <strong>Nan\u00e1 Vasconcelos<\/strong>, inclusive o Coelho tamb\u00e9m participou, o Igor que chegou a tocar no Suvaca depois. E nessa vinda aqui com o Nan\u00e1, tive a oportunidade de tocar com ele, nos ensaios, um puta aprendizado. Nessa viagem, pela primeira vez pude entrar em contato e ver que esse mercado aqui da World Music me fascinou, e isso foi que me deu as primeiras inspira\u00e7\u00f5es para formar o Eta Carinae. A\u00ed gravamos o Eta Carinae. Conseguimos durante sete ou oito anos, acredito, em quase todos os anos seguidos tocar na Europa, nos Estados Unidos. Tocamos em mais de dez pa\u00edses, em diversos festivais de World Music bem conceituados, algum dos maiores.<\/p>\n<p><strong>Sobre o document\u00e1rio &#8220;A Lenda do Jorge Cabeleira&#8221;, como foi para voc\u00eas serem os personagens principais e dentro desse mundo apresentar a banda de uma forma que seu publico n\u00e3o est\u00e1 acostumado a ver, com seus dilemas e conquistas?<\/strong><\/p>\n<p><strong>R:<\/strong> Quanto ao document\u00e1rio, foi bem legal. Foi idealizado pelo Eduardo Pereira, grande amigo nosso. Tamb\u00e9m foi m\u00fasico, tocou na <strong>River Raid<\/strong> e era um f\u00e3 da nossa banda. Ele tamb\u00e9m trabalha com cinema e v\u00eddeo, e convidou a gente. Primeiro pediu autoriza\u00e7\u00e3o para contar nossa hist\u00f3ria utilizando diversos registros da \u00e9poca e tudo mais, e foi massa, foi uma experi\u00eancia muito bacana, reviver e rever os v\u00eddeos, e depois toda a experi\u00eancia de passar no cinema, passando na TV a cabo. Foi incr\u00edvel!<\/p>\n<p><strong>Ainda sobre o document\u00e1rio, teve um momento muito triste quando voc\u00eas falaram sobre a morte tr\u00e1gica de Davi Lima, como foi a perda para voc\u00eas, j\u00e1 que estavam planejando para voltarem a ativa?<\/strong><\/p>\n<p><strong>R:<\/strong> Sobre o Davi, n\u00e3o tem muito que dizer, \u00a0a perda foi terr\u00edvel! Al\u00e9m de ser nosso baterista, muito al\u00e9m da vida, o Davi era, \u00e9, e foi meu primeiro amigo, desde crian\u00e7a, e foi foda! N\u00f3s est\u00e1vamos voltando e tudo mais, e a\u00ed aconteceu. A perda foi absurda, irrepar\u00e1vel, ainda mais da forma como aconteceu, com um fio solto que j\u00e1 tinha sido denunciado por moradores que moravam nas redondezas. E a concession\u00e1ria n\u00e3o fez nada. Envolve problemas caracter\u00edsticos do nosso pa\u00eds, desleixo por parte da concessionaria, incompet\u00eancia.<\/p>\n<p><strong>A colet\u00e2nea &#8220;Trazendo Luzes Eternas&#8221;, como aconteceu, de quem veio a ideia para o retorno da banda, e quando voc\u00eas perceberam que era o momento certo para esse retorno?<\/strong><\/p>\n<p><strong>R:<\/strong> Mais uma vez entra em cena a\u00ed o Dudu (Eduardo Pereira). A gente estava trabalhando no FIG, Festival de Inverno de Garanhuns, e ele estava fazendo cobertura de v\u00eddeo, e eu a produ\u00e7\u00e3o de palco. Depois do festival, tomando uma cerveja, ele me fez a proposta: Rapaz, por que voc\u00eas n\u00e3o voltam? Vamos fazer a banda voltar, fazer show e tudo mais!<\/p>\n<p>Como ningu\u00e9m tinha brigado, ningu\u00e9m tinha raiva de ningu\u00e9m e tal, o Dudu, que tem uma produtora se prop\u00f4s a assumir esse trabalho de produ\u00e7\u00e3o e tudo mais. Ele fez o convite e a gente topou. \u00a0Como eu te falei, nenhuma das paradas e separa\u00e7\u00f5es pelas quais a banda passou foi por briga entre os integrantes nem nada, foi por consequ\u00eancia mesmo de escolhas de vida e tudo mais. E naquele momento ali, tendo um apoio, uma pessoa se prontificando a organizar tudo por tr\u00e1s e correr atr\u00e1s de show e tudo mais, a gente topou.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-11687\" src=\"https:\/\/hom.urgesite.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/jorge-cabeleira-foto5-e1585091191882.jpg\" alt=\"Foto da banda Jorge Cabeleira ao vivo\" width=\"1024\" height=\"576\" srcset=\"https:\/\/hom.urgesite.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/jorge-cabeleira-foto5-e1585091191882.jpg 1024w, https:\/\/hom.urgesite.com.br\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/jorge-cabeleira-foto5-e1585091191882-600x338.jpg 600w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/p>\n<p><strong>As grava\u00e7\u00f5es do novo disco come\u00e7aram em 2017 e foram at\u00e9 o final de 2018, nesse meio tempo voc\u00eas soltaram a can\u00e7\u00e3o \u201cTalism\u00e3\u201d, e o disco s\u00f3 foi chegar a luz do diz no ano de 2019, teve algum motivo toda essa prepara\u00e7\u00e3o?<\/strong><\/p>\n<p><strong>R:<\/strong> Irm\u00e3o, n\u00e3o teve nenhum motivo para essa prepara\u00e7\u00e3o, na verdade, a gente fez um disco totalmente independente, ent\u00e3o a \u00fanica coisa que a gente queria realmente fazer um bicho bom, um disco foda, e demorasse o tempo que fosse necess\u00e1rio. Demorou por causa das atribui\u00e7\u00f5es de cada um, o que cada um tinha que fazer, al\u00e9m dos trabalhos da banda, n\u00e3o tinha como priorizar. Parar tudo que est\u00e1 fazendo na vida para fazer o disco do Jorge Cabeleira, fomos administrando o tempo e a log\u00edstica n\u00e3o s\u00f3 nossa, como tamb\u00e9m do est\u00fadio Casona que foi super parceiro. Tinha tamb\u00e9m que equacionar os dias que o est\u00fadio podia nos receber, afinal n\u00e3o t\u00ednhamos pressa para o disco sair do forno. Por exemplo o nosso segundo disco, passamos mais de um ano tamb\u00e9m trabalhando nele na mesma situa\u00e7\u00e3o. Trabalhamos com o est\u00fadio parceiro que deixava agente trabalhar na maioria das vezes em hor\u00e1rios Livres, pois tinha outros trabalhos que podiam pagar mais do que a gente, e isso foi comandando o time do disco!<\/p>\n<p><strong>Sobre o lan\u00e7amento do novo trabalho, voc\u00eas pensaram em lan\u00e7ar apenas no meio digital ou sempre pensaram em lan\u00e7ar o disco f\u00edsico? E como voc\u00ea enxerga essa mudan\u00e7a no consumo de m\u00fasica, onde a ind\u00fastria musical foi transformada completamente?<\/strong><\/p>\n<p><strong>R:<\/strong> Sobre o disco, pensamos em lan\u00e7ar digital e tamb\u00e9m algumas poucas c\u00f3pias f\u00edsicas. Fizemos uma tiragem inicial pequena, um total de 500 discos, que t\u00e1 perto de acabar.<\/p>\n<p>Realmente, a ind\u00fastria musical foi bastante transformada, principalmente na forma de se consumir m\u00fasica hoje em dia. A maioria desse consumo se d\u00e1 de forma digital, tirando um pouco da import\u00e2ncia do CD. Claro, para quem gosta do CD, de ter guardado, de olhar encarte de ter um aut\u00f3grafo, esses valores sempre v\u00e3o existir, mas a forma de consumir m\u00fasica de massa \u00e9 digital. Isso \u00e9 uma transforma\u00e7\u00e3o muito grande, ent\u00e3o por isso resolvemos lan\u00e7ar digital, mas tamb\u00e9m n\u00e3o vamos deixar de fazer o CD, at\u00e9 porque o CD voc\u00ea pode entregar em m\u00e3os ou mesmo como se fosse um cart\u00e3o de visita de luxo!<\/p>\n<p><strong>Falando em Talism\u00e3 (releitura da m\u00fasica de Geraldo Azevedo e Alceu Valen\u00e7a), parece que foi escrita e musicada por voc\u00eas mesmos, como foi fazer essa releitura com a participa\u00e7\u00e3o de Tagore, um dos novos talentos da m\u00fasica pernambucana, e como se deu esse encontro de ideias?<\/strong><\/p>\n<p><strong>R:<\/strong> Pois \u00e9, \u201cTalism\u00e3\u201d! <strong>Geraldo Azevedo<\/strong> e <strong>Alceu<\/strong> s\u00e3o compositores enormes em Pernambuco e principalmente <strong>Alceu<\/strong> com o disco Vivo, foi uma das pedras fundamentais assim por dizer, como refer\u00eancia nossa, como inspira\u00e7\u00e3o para nossa sonoridade! N\u00f3s somos f\u00e3s h\u00e1 muito tempo! Talvez isso explique um pouco o que voc\u00ea falou de se parecer que a m\u00fasica foi escrita e musicada por n\u00f3s mesmos. \u00c9 muito natural para gente.<\/p>\n<p>Quanto ao <strong>Tagore<\/strong>, ele tamb\u00e9m faz parte dessa mesma produtora,\u00a0 a produtora do Eduardo, Dudu, que \u00e9 a Sunset, e Tagore \u00e9 uma figura\u00e7a, cara super gente boa, super talentoso, e que a gente trombou com ele! Trombadas essas por diversas vezes no est\u00fadio, sendo de tomar uma, relaxar, tocar umas m\u00fasicas, tirar um som. E uma das m\u00fasicas que uma vez a gente tocou foi essa, \u201cTalism\u00e3\u201d, depois quando a gente come\u00e7ou a trabalhar no disco, eu tive a ideia de cham\u00e1-lo pra gente fazer junto. Como a gente j\u00e1 tinha tocado junto e tal, um dia l\u00e1 no viol\u00e3o, fazendo em dueto, fazendo as vozes, e depois foi massa, convidei e ele topou na hora e caiu super bem!<\/p>\n<p><strong>Quando o grande p\u00fablico imagina o artista independente, o fa\u00e7a voc\u00ea mesmo, n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o simples, a conquista do p\u00fablico \u00e9 gradativa?<\/strong><\/p>\n<p><strong>R:<\/strong> Pois \u00e9, esse lema do Punk Rock: <em>do it yourself<\/em>\u00a0(fa\u00e7a voc\u00ea mesmo) \u00e9 superpoderoso superbacana, mas quando voc\u00ea vai viver na pr\u00e1tica, o que se mostra, \u00e9 que d\u00e1 um trabalho dos infernos, que muitas vezes n\u00e3o \u00e9 recompensado do jeito que tem que ser. A conquista de p\u00fablico \u00e9 muito dif\u00edcil, e eu sinceramente preferia que hoje em dia, para ter essa receita da banda, seja ela com venda de discos e shows, precisaria ter uma estrutura por tr\u00e1s, como quando t\u00ednhamos gravadora. Algu\u00e9m para fazer assessoria de imprensa, para cuidar da distribui\u00e7\u00e3o e divulga\u00e7\u00e3o digital, de escolher algu\u00e9m para cuidar de agendamento de shows. \u00c9 muito trampo!<\/p>\n<p>Se diz, n\u00e3o \u00e9 brincando, que uma banda Ideal hoje em dia tem que ter, vamos l\u00e1: um integrante que trabalha com m\u00eddias sociais, outro integrante que trabalha com log\u00edstica, outro integrante que trabalha com o Booking, outro integrante que tenha dinheiro para investir, ou seja, uma banda tem que ser hoje em dia\u00a0encarada como uma empresa, n\u00e3o d\u00e1 para simplesmente se juntar no quarto ou est\u00fadio e sair tocando. Essa \u00e9 apenas a parte divertida da parada. \u00a0Se voc\u00ea realmente quer ser profissional e atingir cada vez mais seu espa\u00e7o dentro do mercado, para viver disso, ent\u00e3o uma banda tem que ser uma empresa e n\u00e3o \u00e9 nada f\u00e1cil!<\/p>\n<p><strong>Sendo uma banda com certo tempo de atividade, voc\u00eas percebem diferen\u00e7as entre o p\u00fablico de quando\u00a0 come\u00e7aram para o dos dias atuais?<\/strong><\/p>\n<p><strong>R:<\/strong> Existe uma grande diferen\u00e7a do p\u00fablico, mas acredito que isso n\u00e3o \u00e9 nada espec\u00edfico para n\u00f3s. As pessoas mudam, o mundo muda e o p\u00fablico vai mudando. N\u00e3o vejo isso como uma grande caracter\u00edstica do p\u00fablico dos dias de hoje. Acredito que desde que o primeiro artista subiu numa caixa e come\u00e7ou a tocar e o p\u00fablico juntou para ver esse artista, de l\u00e1 at\u00e9 hoje o p\u00fablico sempre t\u00e1 mudando. A forma de consumir m\u00fasica sempre vai mudando. Ent\u00e3o \u00e9 isso, o mundo \u00e9 muito din\u00e2mico. O tempo n\u00e3o para e as coisas v\u00e3o mudando, voc\u00ea tem que se se adequar. A diferen\u00e7a \u00e9 que a pessoa provavelmente entrou em contato com m\u00fasica nova, ouvindo na r\u00e1dio ou com um amigo que mostrou no cassete, um disco de vinil. Hoje temos o Spotify, o Deezer, aplicativos que indicam uma banda nova, uma playlist. Ou at\u00e9 mesmo, voc\u00ea segue a Playlist de um amigo para ver o que o cara t\u00e1 ouvindo. Tanto mudou a forma de consumir, como a forma de entrar em contato com essas novidades. Mas no final das contas \u00e9 a curiosidade e a vontade de ouvir m\u00fasica boa, e isso \u00e9 o que impulsiona tudo isso a\u00ed!<\/p>\n<p><strong>O que voc\u00ea t\u00eam escutado atualmente? E como toda essa musica influenciou esse novo trabalho?<\/strong><\/p>\n<p><strong>R:<\/strong> Cara, o que eu tenho escutado atualmente na verdade \u00e9 muita coisa (Risos). Eu acho melhor falar um pouco do que eu escuto atualmente, e que eu acredito que tenha se refletido de alguma forma no disco. Falo a\u00ed de bandas como o <strong>Queens of The Stone Age<\/strong>, <strong>The Mars Volta<\/strong>, <strong>Tame Impala<\/strong>, bandas mais recentes, que tem um qu\u00ea de Rock Psicod\u00e9lico, que influenciaram em termos de sonoridade e de timbres guitarra especialmente.<\/p>\n<p><strong>Com esse momento conturbado atual, \u201cO dia que seremos todos in\u00fateis&#8221; chegou?<\/strong><\/p>\n<p><strong>R:<\/strong> Para finalizar, eu acho que n\u00f3s fomos bem prof\u00e9ticos quando criamos esse disco, <em>O dia em que seremos todos in\u00fateis<\/em>. E nesse momento a\u00ed, vou me ater somente ao Brasil, para n\u00e3o ser t\u00e3o gen\u00e9rico, voc\u00ea tem um momento onde uma parte da popula\u00e7\u00e3o segue cegamente uma ideologia a outra parte da popula\u00e7\u00e3o segue cegamente uma oposta dessa ideologia, e um bocado que fica no meio que n\u00e3o est\u00e1 de acordo 100% com um lado nem 100% o outro. Eu me encaixo nesse lado a\u00ed. Acho que nenhum tipo de tipo de radicalismo \u00e9 positivo e produtivo! Toda essa discuss\u00e3o n\u00e3o \u00e9 ideol\u00f3gica, onde a \u00fanica coisa que se preocupa \u00e9 atacar o seu oposto e se defender dos ataques do seu rosto. Enquanto isso, nada acontece. Isso acaba virando um Fla-Flu pol\u00edtico, e percebo que o povo n\u00e3o est\u00e1 unido contra as quest\u00f5es que realmente importam, em se fazer uma reforma abrangente, um reforma pol\u00edtica de Estado, do Judici\u00e1rio podre que a gente tem no Brasil.<\/p>\n<p>Tudo isso vira uma quest\u00e3o menor diante da suposta empolga\u00e7\u00e3o desses opostos que ficam se atacando, e se promovendo o tempo todo. E no meio de tiroteio todo fica quem n\u00e3o \u00e9 a favor de nenhum dos opostos. Mas, enfim, voc\u00ea n\u00e3o consegue uma uni\u00e3o do Povo. O que o Brasil precisa, na minha leitura, \u00e9 muita coisa, e que a gente jamais vai conseguir isso atrav\u00e9s das m\u00e3os dos nossos pol\u00edticos, por que o problema s\u00e3o eles. Essa classe pol\u00edtica, o sistema pol\u00edtico que \u00e9 formatado desde o in\u00edcio para favorecer a impunidade, para favorecer a corrup\u00e7\u00e3o. E em vez do povo se unir para atacar isso, que \u00e9 o cerne da quest\u00e3o, ficam se atacando. Enquanto isso os pol\u00edticos ficam com suas vidas de privil\u00e9gios. Ficam l\u00e1 do alto estimulando esse tipo de atrito porque s\u00f3 faz bem para eles, e o povo continua, infelizmente, sendo gado, seguindo cegamente seus mitos preferidos, esses falsos profetas, esses escrotos que s\u00f3 pensam neles mesmos no final das contas. E s\u00f3 pensam em se manter no poder, apenas exercer o poder simplesmente pelo poder! E \u00e9 isso!<\/p>\n<p><strong>Mais sobre Jorge Cabeleira<\/strong>: <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/jorgecabeleiraeodiaemqueseremostodosinuteis\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Facebook<\/a><\/p>\n<p><strong>CR\u00c9DITOS |<\/strong> Introdu\u00e7\u00e3o: Luciano Ferreira\/Isaac Lima <strong>::<\/strong> Entrevista: Isaac Lima<\/p>\n<hr \/>\n<h4>Ou\u00e7a o \u00e1lbum Jorge Cabeleira III na \u00edntegra:<\/h4>\n<p><iframe title=\"Spotify Embed: Jorge Cabeleira III\" style=\"border-radius: 12px\" width=\"100%\" height=\"352\" frameborder=\"0\" allowfullscreen allow=\"autoplay; clipboard-write; encrypted-media; fullscreen; picture-in-picture\" loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/open.spotify.com\/embed\/album\/3XUY2SfczqEKnTSdJAhg3y?utm_source=oembed\"><\/iframe><\/p>\n<hr \/>\n<h4><\/h4>\n<hr \/>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Surgida na efervescente Recife da d\u00e9cada de 90, mais precisamente em 1994, a banda Jorge Cabeleira e o Dia em que Seremos Todos In\u00fateis, com pouco tempo de formada logo &#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":11683,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1573],"tags":[7397,3817,1431,7396,2017],"class_list":["post-11677","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-entrevistas","tag-dirceu-melo","tag-fusao-rock-e-baiao","tag-jorge-cabeleira","tag-jorge-cabeleira-e-o-dia-em-que-seremos-todos-inuteis","tag-mangue-beat"],"aioseo_notices":[],"aioseo_head":"\n\t\t<!-- All in One SEO 5.0.4 - aioseo.com -->\n\t<meta name=\"description\" content=\"urgida na efervescente Recife da d\u00e9cada de 90, mais precisamente em 1994, a banda Jorge Cabeleira e o Dia em que Seremos Todos In\u00fateis, com pouco tempo de formada logo come\u00e7ou a chamar a aten\u00e7\u00e3o de p\u00fablico e cr\u00edtica. 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